08/10/2018 - 20h00

[PRÉVIA] NBA 2018-2019: Divisão Noroeste

Fortes, as cinco franquias do Noroeste brigam pelos playoffs; Thunder e Jazz são favoritos a irem mais longe

A Divisão Noroeste é uma das mais equilibradas da NBA nos últimos anos. Na última temporada isso se provou uma vez mais, quando as cinco equipes ficaram separadas umas das outras por somente três vitórias: o Denver Nuggets venceu 46 partidas e terminou em nono lugar, enquanto que o Portland Trail Blazers venceu 49 e terminou em terceiro; as três outras franquias terminaram com 47 ou 48 vitórias. Sabemos que a competição na Conferência Oeste é gigante, mas dentro do Noroeste, ela é ainda mais agressiva.

Após modificações na offseason, ou a ausência delas, Utah Jazz e Oklahoma City Thunder aparecem como os favoritos. Enquanto o Jazz conta com a evolução de seu já ótimo elenco, sem novas aquisições, OKC se mexeu muito bem, principalmente ao trocar o contrato gigante de Carmelo Anthony. Melhor colocado da divisão na última temporada regular, os Blazers precisavam dar um passo a mais, mas não mudaram muita coisa e devem ser superados.

Os Nuggets bateram na trave na última temporada, mas devem se superar nesta. A chegada de Isaiah Thomas, a evolução do jovem núcleo titular e a ausência de lesões resultam em uma combinação que podem fazer dos Nuggets uma grande surpresa. O Minnesota Timberwolves é a grande incógnita neste início, refém da situação de Jimmy Butler, ainda sem um fim.

Confira as previsões do The Playoffs para as equipes da Divisão Noroeste:

DENVER NUGGETS

Depois de bater na trave na última temporada, ao ficar a uma vitória dos playoffs do Oeste (perderam a última rodada e a vaga para o Minnesota Timberwolves), os Nuggets aparecem com uma perspectiva de melhor desempenho agora. A equipe tem como base um núcleo jovem muito bom e cada vez mais desenvolvido e entrosado, composto por Jamal Murray, Gary Harris e Nikola Jokic, e contou com aquisições pontuais interessantes.

Somando-se aos três jovens talentos (os três têm 24 anos ou menos), uma presença importante experiente no quinteto titular é a do ala-pivô Paul Millsap. Prejudicado por uma temporada de lesões, em que jogou somente 38 partidas, Millsap é um dos melhores defensores do elenco, dentro da frágil defesa do time, e jogador decisivo na hora que o jogo entra na reta final. Com o ala-pivô saudável, talvez os Nuggets tivessem uma melhor sorte na última temporada.

Ofensivamente, Denver tem um poderio invejável, e recheou o elenco com a adição de Isaiah Thomas, que deverá ser o sexto homem da equipe e Michael Porter Jr., calouro de grande potencial técnico. Sexta em pontos por jogo e quinta em assistências por jogo na última temporada, a franquia do Colorado tem muitas opções no ataque, todas elas facilitadas pela versatilidade de Jokic, pivô que sabe muito bem passar a bola e tem uma visão invejável. O arsenal ofensivo é variado, mas se destaca pelas finalizações perto da cesta com Jokic e os tiros de fora.

É na defesa que a coisa não fica tão favorável. O time foi o 22º em pontos cedidos e o último em aproveitamento de arremessos de quadra contra, muito por causa da falha proteção do aro, permitindo cestas fáceis. Jokic tem contribuição direta no bom ataque de Denver, mas a fraca proteção ao aro tem também sua participação. Resta ver se o ataque suprirá a defesa e os Nuggets triunfarão nesta temporada.

Resultados 2017/2018: 46-36 (14ª melhor campanha no geral)

Provável quinteto titular: Jamal Murray, Gary Harris, Will Barton, Paul Millsap e Nikola Jokic

Briga por: Vaga nos playoffs

(Foto: Reprodução Twitter / Denver Nuggets)

MINNESOTA TIMBERWOLVES

Towns contra Capela no jogo 1 entre Timberwolves e Rockets

A maior incógnita da divisão, sem dúvida, é o Minnesota Timberwolves. Em meio a um clima rachado com Jimmy Butler, recheado de boatos sobre trocas com diversas franquias, o time, talentoso, tenta se manter competitivo dentro da divisão. Cotado como uma potencial grande força antes da última temporada, os Wolves não evoluíram como o esperado e quase ficaram de fora da pós-temporada. Hoje, com a situação de instabilidade ao redor de Butler e o crescimento dos demais times, a perspectiva é de uma temporada abaixo da anterior.

O clima em Minnesota, de fato, não é bom. Depois das declarações de Butler sobre as posturas de Andrew Wiggins e Karl-Anthony Towns, que não estariam comprometidos inteiramente com o time, o ala pediu para ser trocado e se envolve diariamente com boatos sobre novos destinos. Em um cenário sem Butler, os Wolves voltam algumas casas em competitividade, apoiados diretamente somente em Towns e Wiggins. O elenco é envelhecido e não apresenta muitas peças de qualidade que possam elevar o nível do time. Portanto, observa-se que uma troca envolvendo Butler teria que trazer ou outro jogador de calibre all-star ou dois bons componentes de elenco.

Tom Thibodeau também é um que precisa passar por alguma mudança em seu jeito de pensar. O experiente técnico praticamente juntou o time do Chicago Bulls do começo da década, que ele treinou, nas figuras dos, agora envelhecidos, Luol Deng (33 anos), Derrick Rose (29), Taj Gibson (33) e o próprio Butler (28). Outro fato que pesa contra Thibs é seu exagero de minutos sobre os jogadores titulares, favorecendo as chances de lesão e os esgotando para uma eventual ida à pós-temporada, como se observou na última temporada.

Notícias boas para os Wolves foram as chegadas dos dois calouros: o ala-armador Josh Okogie e o ala Keita Bates-Diop. Vigésima escolha deste ano, Okogie é o único ala-armador além de Butler no elenco e deverá ter bons minutos na rotação. Vindo de Georgia Tech, o jogador de 20 anos é muito atlético e tem boa capacidade dos dois lados da quadra, sendo classificado como um dos mais atléticos da classe, segundo pesquisa da NBA.com. Se contar com Butler como um tutor, Okogie tem tudo para ser um grande pilar defensivo no perímetro do time. Após belo desempenho na Summer League, Bates-Diop (48ª escolha) pode ser considerado um dos grandes steals do Draft, com físico privilegiado e jogo bem desenvolvido dos dois lados quadra, principalmente em relação à versatilidade na defesa.

Resultados 2017/2018: 47-35 (12ª melhor campanha no geral)

Provável quinteto titular: Jeff Teague, Jimmy Butler (por enquanto), Andrew Wiggins, Taj Gibson e Karl-Anthony Towns

Briga por: Vaga nos playoffs

(Foto: Reprodução Twitter / NBA)

PORTLAND TRAIL BLAZERS

Há algumas temporadas os Blazers habitam aquele território do Oeste onde o time é bom, muitas vezes bem bom, mas não o bastante dentro da concorrida conferência. Esta temporada não será diferente, já que o elenco perdeu algumas boas peças, mas se recuperou com figuras, teoricamente, de valor semelhante. Deste modo, aquele velho dilema sobre a franquia rondará: seguir com essa base que se mostra boa, mas com o teto limitado e praticamente já atingido, ou ter uma mudança mais radical para poder chegar mais próximo do topo da liga?

Fato é que Portland é daqueles times que têm a possibilidade de bater qualquer um em uma noite (a terceira posição na temporada regular da última temporada prova isso), mas para bater um time competitivo em uma série melhor de sete jogos já é uma outra história (e a varrida na primeira rodada para os Pelicans mostra isso).

A armação, composta por Damian Lillard e C.J. McCollum, é uma das melhores da liga e segue evoluindo no jogo, mas na temporada passada foram dois os grandes problemas: o fraco poderio nas bolas de fora e falta de opções no banco, que contribuíssem para a manutenção da equipe titular. Isso foi algo que mudou durante a offseason…

Saíram três dos mais importantes do banco da última temporada, Shabazz Napier, Ed Davis e Pat Connaughton, mas alternativas vindas na offseason e outras desenvolvidas dentro da franquia podem resolver. Seth Curry chegou e é uma opção que cumpre as duas dificuldades do time na última temporada citadas no parágrafo acima. Ainda no backcourt, os calouros Anfernee Simons e Gary Trent Jr. se saíram bem na Summer League e fatalmente terão minutos. Finalmente, a evolução do pivô Zach Collins é a maior aposta. Mais encorpado fisicamente, o segundanista tem uma inteligência acima da média para sua idade dentro de quadra, principalmente no aspecto defensivo, além de um bom jogo de média e longa distância. Portland sentiu-se seguro em dispensar Davis e “promover” Collins…

Defensivamente, destaca-se Al-Farouq Aminu. O ala nigeriano é um tanto quanto subestimado em relação à habilidade defensiva. Com um físico privilegiado para cobrir tanto as alas como jogadores menores, Aminu tem boa postura em vários aspectos, como em transição defensiva e em ajudas. A defesa da franquia foi muito bem na temporada passada e muito disso devido à contribuição do ala. No atual elenco, vale destacar o pivô Jusuk Nurkic, decente na proteção do aro, a evolução natural e inteligência de Collins e o ala-pivô Moe Harkless, que reúne bons atributos para um bom defensor de perímetro e até apresentou bons jogos, mas ainda é inconstante.

O perfil dos Blazers é semelhante ao do Utah Jazz, tratado mais abaixo, isto é, um time com ótimas e boas peças e um bom treinador, mas que no Oeste não é suficiente para um voo mais alto. O teto do time parece ter chegado e para se ir mais longe talvez haja a necessidade de mudanças um pouco mais profundas.

Resultados 2017/2018: 49-33 (7ª melhor campanha no geral)

Provável quinteto titular: Damian Lillard, C.J. McCollum, Moe Harkeless, Al-Farouq Aminu, Jusuf Nurkic

Briga por: Vaga nos playoffs

(Foto: Reprodução Twitter / NBA)

OKLAHOMA CITY THUNDER

Se tem um time da divisão que deu um salto de uma temporada para outra, esse time é o Thunder. O GM da equipe, Sam Presti, fez um grande trabalho na offseason, com destaque para o contrato longo firmado com Paul George, a dispensa do polpudo contrato de Carmelo Anthony e a chegada de dois bons jogadores para a rotação: Dennis Schroder e Nerlens Noel. Em resumo, o elenco ficou mais recheado e com bons substitutos aos titulares da posição, diferente da temporada passada, em que o Thunder penava quando a segunda unidade dava as caras.

Depois de um ano juntos, a tendência é o entrosamento natural entre Russell Westbrook e George, os dois principais jogadores da equipe. Praticamente imparável no ataque à cesta há tempos, West tem evoluído ano a ano em seus arremessos de quadra, o que o torna um dos jogadores com maior arsenal ofensivo da liga, sempre figurando entre os maiores pontuadores da temporada. PG é daqueles jogadores completos, reunindo boas características na defesa e no ataque e junto a Westbrook, agora sem Anthony, podem ter maior poder decisivo nos fins de jogos, ponto que o time não foi bem na última temporada.

Defensivamente, OKC teve uma baixa importante na última semana: a perda de Andre Roberson, um dos melhores defensores de perímetro da liga, por até dois meses. No último ano, o ala perdeu ficou fora temporada desde janeiro e escancarou a dependência do time de sua defesa. Antes de sua saída na época, o Thunder tinha a melhor defesa da NBA. Aqui cabe falar também sobre Steven Adams. O pivô neo-zelandês tem ótima presença defensiva dentro do garrafão e boa capacidade na marcação individual de jogadores menores em eventuais trocas. Além disso, tem crescido no ataque, tornando-se certa ameaça aos rivais.

Na posição quatro, Jerami Grant e Patrick Patterson deverão dividir a minutagem, completando o elenco. Completo (incluindo aí Roberson), o Thunder talvez seja um time que, defensivamente, consiga bater de frente com Golden State Warriors e Houston Rockets e, ofensivamente, possa ser uma ameaça. Difícil não se preocupar com um time mais equilibrado que conta com West e PG.

Resultados 2017/2018: 48-34 (10ª melhor campanha no geral)

Provável quinteto titular: Russell Westbrook, Andre Roberson (Alex Abrines), Paul George, Jerami Grant (Patrick Patterson), Steven Adams

Briga por: Mando de quadra nos playoffs

(Foto: Reprodução Twitter / Oklahoma City Thunder)

UTAH JAZZ

Se tem uma palavra que descreve bem a equipe do Jazz esta é “continuidade”. Definitivamente, o elenco conduzido pelo ótimo Quin Snyder não teve nenhuma mudança, senão a aquisição de seu calouro de primeira rodada, Grayson Allen. No caso do Jazz, isso é um grande trunfo para o time, que aposta na evolução de seus jogadores para elevar um nível que já se mostrou alto na última temporada.

Se conseguir manter-se saudável, Utah tem um dos elencos mais completos e equilibrados da liga. O pivô Rudy Gobert é o atual melhor defensor da NBA e quem dá a dinâmica para o equilíbrio defensivo da equipe. Com Gobert como protetor do aro, a defesa é liberada para atuar de modo mais agressivo no perímetro (e o Jazz tem defensores do perímetro de alto nível, como Jae Crowder e Thabo Sefolosha), cortando arremessos de fora e fechando linhas de passe, sempre com a certeza que a cesta está segura. Se o gigante francês tiver uma temporada completa, sem lesões, mantém o nível de jogo de Utah no alto.

Ofensivamente, o Jazz tem em Donovan Mitchell seu maior talento. Partindo para seu segundo ano com ares de veterano, o ala-armador é o capitalizador das principais jogadas, sempre aproveitando os desequilíbrios defensivos causados pela intensa troca de passes do time para cortar em direção à cesta. Apesar de contar com um ótimo arremessador de fora em Joe Ingles, este Jazz gosta mesmo de jogar perto da cesta, com, além de Mitchell, Gobert e Derrick Favors concluindo cestas fáceis ou arremessos curtos, no caso de Favors. Isso tudo é possível a partir da condução de Ricky Rubio na armação, peça fundamental no início das trocas de passe.

Por fim, é bom citar Dante Exum, armador australiano que finalmente deverá ter uma maior continuidade na rotação da equipe. Exum é o substituto direto de Rubio, um degrau acima do brasileiro Raulzinho, e tem um espaço para evolução ainda bastante alto para um jovem de 23 anos. Depois de seguidas lesões, esta deverá ser a temporada de Exum. Única aquisição da equipe, como dito, Allen também brigará por minutos de quadra e certamente contribuirá à altura trazendo a boa experiência acumulada em Duke.

Saudável, o Jazz brigará forte por mando de quadra nos playoffs…

Resultados 2017/2018: 48-34 (11ª melhor campanha no geral)

Provável quinteto titular: Ricky Rubio, Donovan Mitchell, Joe Ingles, Derrick Favors e Rudy Gobert

Briga por: Mando de quadra nos playoffs

(Foto: Reprodução Twitter / Utah Jazz)

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