17/04/2020 - 00h48

Halladay estava fazendo acrobacias quando seu avião bateu

Relatório divulga mais informações sobre o acidente fatal de Roy Halladay em 2017

O arremessador e Hall da Fama,Roy Halladay estava fazendo acrobacias e tinha um nível alto de anfetaminas em seu corpo de acordo com um dossiê do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) que foi divulgado nesta quarta-feira (15). Ele morreu ao bater com seu avião e caiu no golfo do México em 2017.

Halladay tinha níveis 10 vezes mais altos de anfetamina no corpo do que o que é considerado terapêutico. Além disso, altos níveis de morfina e um antidepressivo que pode prejudicar o julgamento. Isso enquanto fazia curvas acentuadas e escaladas em altura, segundo o estudo do acidente do dia 7 de novembro de 2017.

Essas manobras elevaram quase duas vezes a gravidade no avião, uma ICON A5, uma aeronave leve e anfíbia que Halladay havia comprado fazia um mês. Na última manobra, perdeu velocidade durante uma subida íngreme, fazendo a nave cair na água. O estudo diz que Halladay morreu por conta do trauma contundente e afogamento.

Entretanto, o estudo não dá um motivo final para a queda do avião. O dossiê divulgado nesta quarta-feira geralmente é divulgado algumas semanas antes do relatório final, disse o porta-voz Terry Williams à ESPN americana.

“O relatório divulgado ontem sobre o acidente do Roy foi doloroso para nossa família, e nos fez revisitar o pior dia das nossas vidas”, disse a viúva de Halladay, Brandy, em um pronunciamento divulgado pelo Philadelphia Phillies nesta quinta-feira (16). “Reitera o que eu já havia dito, que ninguém é perfeito. A maioria das famílias sofre em alguns aspectos e a nossa não era uma exceção. Nós respeitosamente pedimos que vocês não façam julgamentos ou assumam coisas. Na verdade, pedimos para que vocês valorizem seus entes queridos. Como uma família pedimos que deixem o Roy descansar em paz.”

Menos de duas semanas antes do acidente, Halladay havia voado por baixo da Skyway Bridge em Tampa Bay, até o aeroporto Peter O. Knight, para sua casa, de acordo com dados coletados do GPS pela NTSB. Apesar de ter mais de 700 horas como piloto privado, o arremessador tinha pouco mais de 14 horas em seu ICON A5.

Ele decolou de um lago perto de sua casa cerca de 15 minutos antes do acidente, e segundo um relato, estava voando a 105 milhas por horas, a 11 pés de altura, antes de começar as acrobacias. Segundo Fred Gruden, uma testemunha, o avião estava quase vertical no ponto mais alto da manobra, então ele ouviu uma pancada na água e ligou para a emergência. Allan Dopirak, outra testemunha, estava pescando e viu Halladay voando muito perto de casas na Gulf Harbor, relatou.

As substâncias detectadas no corpo de Halladay foram anfetamina, morfina, o antidepressivo fluxoetina, um relaxante muscular conhecido como baclofen, além do auxiliador de sono Zolpidem. O estudo indica que o Zolpidem pode ter sido metabolizado por meio de remédios como Aderall, que combate o transtorno de déficit de atenção. A morfina vem de um analgésico que ele consumia, hidromorfina, um opioide. O relatório frisa que todos esses medicamentos vêm com avisos sobre o uso enquanto se dirige, ou há o manuseio de máquinas pesadas.

Além disso, foi constatado que Halladay já havia tido problemas com abuso de substâncias. Em 2015, ele estava abusando de opioides e benzodiazepínicos. Ele tinha problemas de dor crônica nas costas que o fizeram se aposentar em dezembro de 2013. Em 2015, Roy Halladay disse ao seu médico que ele estava se tratando de depressão e tomando Adderall e Prozac.

O ex-jogador recebeu seu brevê em 2013 e tinha 51 horas dirigindo ICON A5s. Criado em 2014, em teoria o A5 deveria ser como um ATV, algo que possa facilmente ser atrelado a um trailer e que possa ficar na água, em lagos, e decolar. O criador morreu em 2017 após um erro que a NTSB atribui como erro do piloto.

Por conta deste acidente, a ICON mandou orientações para seus pilotos, dizendo que apesar de voar em altitudes baixas possa ser uma das maneras mais prazerosas de se voar, vem junto com diversos riscos adicionais. Portanto, necessitam de outras diversas considerações.

Além disso, foi frisado que o treinamento foca em vôos de alta atitude, e pouco se faz sobre vôos de baixa altitude. A ICON disse a NTSB que Halladay recebeu e estava ciente das orientações. Não existem evidências de que ele recebeu treinamento  para voos de baixa altitude.

Atualmente, seu filho é parte da organização do Toronto Blue Jays, equipe pela qual Roy atuou de 1998 até a temporada de 2009, antes de se juntar aos Phillies.

(Foto: Reprodução/ MLB.com)

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