25/09/2019 - 16h39

[PRÉVIA] NHL 2019-2020: Divisão do Atlântico

Com Lightning buscando recuperação e Bruins mordidos, divisão promete alto nível

Faltam menos de 20 dias para o início de mais uma temporada da NHL. Como você já sabe, o The Playoffs traz tudo que você precisa saber antes do puck cair no gelo no dia 2 de outubro. Começamos com uma análise das oito equipes da Divisão do Atlântico, time por time, para que fique por dentro das chances de cada um, e as expectativas para os 82 jogos da temporada regular e os playoffs.

Na última temporada, o Tampa Bay Lightning levou o título da divisão, mas foi o vice, Boston Bruins, que conseguiu o tão sonhado título da Conferência Leste e a vaga para a disputa da Stanley Cup. A taça acabou em St. Louis, mas o Atlântico irá trazer diversos candidatos a buscar a Stanley Cup de volta para o lado Leste.

Confira mais uma prévia do The Playoffs para a temporada 2019-2020 da NHL:

BOSTON BRUINS

Perder o título da NHL no jogo 7 da decisão, jogando em casa, pode ser cruel. Mas, olhando o elenco dos Bruins para este ano, que praticamente é o mesmo de 18-19, chegar na partida decisiva pode ser uma esperança de nova tentativa de título. O núcleo composto de Patrice Bergeron, Brad Marchand, David Pastrnak, Tuukka Rask e Torey Krug segue intacto e forte para mais uma temporada. O retorno do capitão Zdeno Chara, com 42 anos, para mais um ano, é uma garantia de experiência no vestiário e força na defesa do time.

Mas Boston ainda tem mais e hoje, pode ser chamado de um time híbrido, que mistura experiência com juventude. Charlie McAvoy e Brandon Carlo renovaram e formam com Krug e Chara um dos melhores top 4 defensivos da NHL. Jake DeBrusk, Danton Heinen e Sean Kuraly podem ser mais protagonistas na parte ofensiva. Charlie Coyle e Joakim Nordstrom marcaram 24 pontos em 24 jogos de playoffs em 18-19 e serão fundamentais para manter os Bruins no topo do ataque da NHL.

Com 32,4% de sucesso, os Bruins lideraram o power play na temporada regular da NHL e foram os terceiros no penalty kill durante os playoffs (88,4%), além do melhor ataque na pós-temporada (79 gols em 24 jogos).

O grande desafio de Bruce Cassidy e companhia é manter o time saudável. Rask, Bergeron, Pastrnak e Krug ficaram muito tempo fora na temporada regular e podem fazer muita falta numa divisão do Atlântico muito disputada. No gol, Jaroslav Halak já provou que dá conta do recado, mas em caso de uma contusão em massa, a pressão pode cair no colo de jovens como Matt Grzelcyk, Connor Clifton e Peter Cehlarik, o que pode dificultar um retorno do time à decisão da Stanley Cup.

Briga por: Título da divisão

TAMPA BAY LIGHTNING

Quando o time faz incríveis 128 pontos na temporada regular não conquista o título da NHL, um sentimento de frustração é normal. Quando acontece isso e você ainda é eliminado na primeira rodada dos playoffs, por acachapantes 4-0, esse sentimento é multiplicado por mil. Nas últimas cinco temporadas, o Lightning bateu na trave algumas vezes. Perdeu para o Pittsburgh Penguins e Washington Capitals na final da conferência e para o Chicago Blackhawks, nas finais de 14-15, então será que esta temporada o título vem?

Tampa Bay tem o atual vencedor do troféu Vezina (melhor goleiro, Andrei Vasilevskiy), do troféu Hart (MVP, Nikita Kucherov) e um sempre candidato ao troféu Norris (defensor do ano, Victor Hedman). Só isso já era motivo pra tratar o Lightning como um candidato ao título.

Além desse trio, temos excelentes jogadores como Yanni Gourde, Alex Killorn, Ondrej Palat e Tyler Johnson. Jovens promissores como Brayden Point, que renovou contrato nesta semana, Anthony Cirreli e Mikhail Sergachev. Tudo isso capitaneado por um fantástico Steven Stamkos. Estamos falando do melhor elenco da NHL…

Falando de Lightning, existe sempre um “mas”. Os sucessivos fracassos na pós-temporada colocam uma grande interrogação no time comandado por Jon Cooper. A perda do defensor Andrei Sustr foi compensada pela chegada de Kevin Shattenkirk, que terá mais uma chance de justificar o enorme contrato que recebeu dos Rangers. Resta saber se o time vai além da temporada regular ou será mais um ano de frustrações.

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OTTAWA SENATORS

OTTAWA, CANADA - OCTOBER 18: Thomas Chabot #72 of the Ottawa Senators jumps over the boards for his first shift during his first career NHL game in a game against the Arizona Coyotes at Canadian Tire Centre on October 18, 2016 in Ottawa, Ontario, Canada.A pior campanha da última temporada nunca é bem-vinda. Foram apenas 29 vitórias em 82 jogos e os minguados 64 pontos deixaram os Senators na lanterna da NHL. O GM do time, Pierre Dorion, nunca falou tanto a palavra “reconstrução” em Ottawa como agora. Desde da saída do defensor Erik Karlsson, no começo da temporada passada, o time canadense tenta se reerguer e retornar a melhores dias, como em 2016-2017, quando chegou à final do Leste, sendo derrotado pelos Penguins.

Bobby Ryan (15 gols em 18-19) e Brady Thachuk (22 gols) terão a responsabilidade de liderar um elenco de inúmeros jovens, que vão tentar compensar a juventude com muita vontade. Se Artem Anisimov, Mikkel Boedker e Tyler Ennis reviverem as melhores temporadas da vida, e o goleiro Craig Anderson estiver em forma, os Senators podem passar de 29 vitórias, mas nada muito além disso.

Se a ideia é reformulação, existem alguns jovens no elenco que valem a pena serem testados na NHL. Thomas Chabot será o principal defensor, tanto que renovou o contrato por mais oito anos. Erik Brannstrom e Nikita Zaitsev farão companhia a Chabot na ajuda a proteção ao gol de Anderson. Drake Batherson e Alex Formenton vão ser os responsáveis por marcar os gols dos Senators. Uma promessa de uma nova arena em Ottawa talvez deva ser a melhor notícia para os fãs até abril de 2020.

Briga por: Fugir da lanterna

BUFFALO SABRES

O eterno time do futuro deve ter que precisar de mais um ano para emplacar. Jake Eichel já demonstrou que pode ser o líder técnico tão esperado pelos fãs dos Sabres, mas precisa muito de melhores companhias no gelo. Na última temporada, Jeff Skinner marcou 40 gols e Sam Reinhart 22, e eles seguirão sendo as esperanças de gols em Buffalo.

O GM Jason Botterill apostou em dois jogadores para melhorar a produção ofensiva. Marcus Johansson foi importante com os Bruins nos últimos playoffs, com 11 pontos e Jimmy Vesey terá a chance de jogar à altura do que se espera dele, desde quando chegou ao New York Rangers em 2016.

A escolha número 1 do Draft de 2018 já começa a se tornar uma das referências da equipe. O defensor Rasmus Dahlin, com 44 pontos em 18-19, foi o segundo maior em pontos, em toda a história da NHL, a chegar a essa pontuação com apenas 18 anos. O sueco terá os reforços de Colin Miller (ex-Golden Knights) e Brandon Montour, que veio do Anaheim Ducks em fevereiro, o que deve dar maior segurança defensiva ao time.

O goleiro Carter Hutton será o titular, o que pode ser um problema para os Sabres. Numa divisão bem acirrada, o time precisa de um bom começo de temporada, para tentar chegar à pós-temporada, o que não acontece desde 2011, quando foi eliminado na primeira rodada dos playoffs pelo Philadelphia Flyers.

Briga por: Vaga de wild card

MONTREAL CANADIENS

Canadiens vencem Red Wings e seguem invictos em casaExiste vida em Montreal sem Max Pacioretty? A presença do tripé Carey Price, Shea Weber e o treinador Claude Julien indica que sim, mas será suficiente para fazer o time voltar aos playoffs? Com Price e Weber saudáveis, a chance aumenta bastante. Mesmo com números não tão bons na última temporada, a dupla de veteranos ainda é capaz de liderar uma equipe e levar toda a tradição do hóquei em Montreal para a pós-temporada.

Jesperi Kotkaniemi e Ryan Poehling estrearam em 18-19 e demonstraram que podem ser armas importantes na parte ofensiva. Cole Caufield, escolhido pelo time na primeira rodada do Draft deste ano, tem boas chances de entrar no elenco principal e fazer um impacto positivo na equipe. Max Domi vem da sua melhor temporada da NHL, com 28 gols e 44 assistências e Jonathan Drouin, com 35 pontos podem carregar o time ofensivamente, juntos com Brendan Gallagher, Paul Byron e Tomas Tatar.

Se Julien conseguir reunir a experiência dos veteranos com a qualidade dos jovens, poderemos ver hóquei em Montreal após a temporada regular. Essa temporada pode ser decisiva para o futuro dos Habs, já que com os longos contratos de Weber e Price, o GM Marc Bergevin terá uma dura missão se optar por reformular drasticamente o elenco, além de ter que lidar com a enorme pressão da imprensa e dos fãs em Montreal. Já se passaram 26 anos da última visita da Stanley Cup aos Canadiens e parece que teremos outro ano de mais críticas do que elogios ao tradicional time canadense.

Briga por: Vaga aos playoffs

TORONTO MAPLE LEAFS

Qualquer previsão para o Toronto Maple Leafs dependia de um nome: Mitch Marner. Com a renovação por 6 temporadas e incríveis US$ 10,8 milhões anuais, a torcida em Toronto pode respirar aliviada. Claro que Auston Matthews, John Tavares, Morgan Rielly e Frederik Andersen qualificam demais o time de Toronto, mas o retorno de Marner coloca os Maple Leafs num patamar mais alto.

O treinador Mike Babcock melhorou os Maple Leafs desde da sua chegada, em 2015, levando o time para os playoffs nas últimas três temporadas. A chegada de Tyson Barrie, ex-Avalanche, qualifica a defesa. Barrie marcou 14 gols e 59 pontos na última temporada, sendo fundamental na campanha do time de Colorado até os playoffs.

Com Marner, os Maple Leafs têm um dos melhores elencos para marcar gols na NHL. Com Andersen garantindo qualidade no gol do time, a grande dúvida dos Maple Leafs paira sobre a defesa. Com o retorno de Travis Dermott, recuperado de contusão, a equipe pode ter um top 4 com Rielly, Barrie e Jake Muzzin, que tem qualidade, mas pode ser insuficiente para conduzir o time a uma sonhada decisão de Stanley Cup.

Briga por: Vaga nos playoffs

DETROIT RED WINGS

Se existe um time que sofre com aposentadorias na NHL, este é o Detroit Red Wings. Pavel Datsyuk e Henrik Zetterberg penduraram os patins nos últimos anos e no último mês, os fãs deram adeus ao defensor Niklas Kronwall, após 15 temporadas com a camisa dos Red Wings. Se a reconstrução em Detroit foi forçada, ela tem que acelerar seu ritmo, para que o time retorne aos playoffs.

Dylan Larkin desponta como principal jogador do elenco. O jovem de 23 anos vem da sua melhor temporada, em que marcou 73 pontos (32 gols, 41 assistências) em 76 jogos. Larkin já soma 213 pontos em 318 partidas na carreira e continuará sendo o pilar ofensivo do time de Detroit. Valtteri Filppula, Justin Abdelkader e Andreas Athanasiou precisam contribuir mais ofensivamente para marcar os gols que os Red Wings precisam.

Na defesa, ficam as maiores esperanças e dúvidas do elenco. Sem Kronwall, Mike Green e Trevor Daley terão a dura missão de comandar uma defesa muito jovem, proteger o gol defendido por Jimmy Howard e Jonathan Bernier e também participar do ataque. Filip Hronek e a escolha número 6 do Draft deste ano, Moritz Seiber, devem ter muitos minutos no gelo e terão que aprender rapidamente os caminhos dentro da NHL, para que possam levar os Red Wings de volta à pós-temporada.

Briga por: Fugir da lanterna

FLORIDA PANTHERS

Talvez o time com a maior expectativa de toda a Divisão do Atlântico seja o Florida Panthers. A equipe chegou perto de voltar aos playoffs na temporada passada e com os reforços desta offseason, os fãs podem sonhar novamente com a pós-temporada.

Alex Barkov e Jonathan Huberdeau passaram da marca de 90 pontos em 18-19, colocando o time entre os 10 melhores ataques da temporada regular.

Para tentar reduzir o número de gols sofridos, os Panthers assinaram com o goleiro Sergei Bobrovsky, que conquistou por duas vezes na carreira o troféu Vezina, dado ao melhor na posição durante a temporada regular. Do rival Lightning, veio o defensor Anton Stralman, que deve ajudar Aaron Ekblad e Keith Yandle na missão de proteger o gol.

Mas talvez o maior reforço do time da Flórida chegou pra ficar no banco. Os Panthers acertaram com o treinador Joel Quenneville, tricampeão da Stanley Cup com os Blackhawks (2010, 2013, 2015), que chega com a missão de levar o time à final da NHL, o que só aconteceu uma vez na história, em 1996, quando a equipe perdeu para o Colorado Avalanche.

Se coach Q conseguir arrumar o time, os Panthers chegam como um dos favoritos, não só para o título da divisão, mas também para a conquista inédita da Stanley Cup.

Briga por: Título da divisão

(Crédito nas fotos: Site oficial da NHL, Francois Laplante/FreestylePhoto/Getty Images, Twitter Tampa Bay Lightning)

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