01/02/2019 - 17h11

Super Bowl LIII: 5 motivos para acreditar no título do Los Angeles Rams

As principais razões para acreditar na conquista do bicampeonato dos Rams

Samson EbukamEnfim, o Super Bowl LIII vai acontecer. No próximo domingo (3), o Mercedes-Benz Stadium, nova casa do Atlanta Falcons, recebe o mais esperado jogo da temporada da NFL. Para os torcedores dos Rams, na verdade, é o jogo mais esperado há 17 anos, quando a franquia (que ainda jogava em St. Louis) foi derrotada pelo New England Patriots no Super Bowl XXXVI, já diante de Belichick e Brady.

Após muito sucesso nos últimos Drafts, o time conseguiu aliar talento e juventude para criar um núcleo sólido, capaz de brigar seguidamente no topo. Na temporada 2017, após um bom início, acabou surpreendido em casa pelos Falcons na rodada de Wild Card. O time não se conteve e abriu os cofres: pagou as renovações de Todd Gurley e Aaron Donald, além de buscar Ndamukong Suh, Marcus Peters, Brandin Cooks e Aqib Talib no período de offseason.

O resultado foi uma temporada regular sem sustos, com vitórias expressivas desde a semana 1. O time caminhou tranquilamente pela Divisão Oeste da NFC, e conseguiu nada menos que vencer 13 jogos antes da pós-temporada. Mesmo com a lesão do importante Cooper Kupp, o time foi se adaptando aos esquemas apresentados para combater o ótimo ataque montado pelo head coach Sean McVay.

Portanto, o The Playoffs elenca agora os 5 principais motivos para acreditar que, no domingo, os Rams sairão de campo vitoriosos.

(Foto: Reprodução Twitter/Los Angeles Rams)

AMEAÇA DUPLA NO BACKFIELD

Os Rams chegam à final contando com o melhor running back da liga: Todd Gurley. Além de ser extremamente explosivo e ter ótimo leitura, o jogador auxilia bastante no jogo aéreo e é uma arma letal no poderoso ataque californiano. Após um lesão que o prejudicou bastante nas últimas semanas, o produto de Georgia garante estar 100% e pronto para a grande decisão.

A maior surpresa dos Rams nesta temporada talvez seja o retorno de C.J Anderson às atuações de alto nível. Mesmo dividindo as carregadas com Gurley, C.J. é um dos jogadores mais importantes desta pós-temporada, tendo conduzido o ataque terrestre do time nas duas partidas, mais que Gurley, em especial contra os Cowboys.

O problema para a defesa dos Patriots é que, além da qualidade indiscutível destes jogadores, a linha ofensiva tem trabalhado de uma forma extremamente competente desde o início da temporada. Na hora de liderar bloqueios, a unidade mostrou muita competência, ajudando na incrível marca de quase 5 jardas por carregada na temporada regular. Além disso, as corridas cansam bastante a defesa adversário e dão ao time a chance de controlar o relógio, sendo uma arma muito importante para o bicampeonato.

(Foto: Reprodução Twitter/NFL)

SPECIAL TEAMS

Na última temporada, os Rams levaram ao Pro Bowl o Kicker (Greg Zurlein), o Punter (Johnny Hekker), o Long Snapper (Jake McQuaide) e o retornador (Pharoh Cooper). Ou seja, todos os jogadores das posições mais importantes dos special teams foram considerados os melhores de sua conferência.

E o melhor: todos seguem no time. Assim, o time de Los Angeles pode conseguir posicionar bem o seu ataque, prejudicar o ataque rival e até mesmo decidir o jogo. Não é incomum vermos Hekker realizar lançamentos em jogadas de punt, conquistando muitas jardas e descidas que mudam o jogo.

Nesta temporada, o time venceu o Green Bay Packers por 29 a 27. Este jogo, contra um quarterback experiente, mostra o quão importante o time de especialistas é para os Rams. Durante a partida, Hekker conectou um passe de 12 jardas e renovou as descidas do ataque, Zurlein foi 100% quando entrou em campo e, dentro dos dois minutos finais, o time de kickoff forçou um fumble que impediu Aaron Rodgers de tentar o drive da vitória.

Não é impossível imaginarmos Greg “The Leg” vencendo o jogo nos últimos segundos, com chute decisivo como foi contra o New Orleans Saints. Por sinal, seria a forma perfeita de devolver a derrota no Super Bowl XXXVI, que veio desta forma no chute de Adam Vinatieri. Hekker também deu um passe fundamental no jogo contra os Saints. Olho neles!

VINGANÇA DO SUPER BOWL XXXVI

Talvez você não acompanhasse a NFL no fim da década de 90, mas existia o chamado “The Greatest Show on Earth/Turf”. O ataque do time que ainda pertencia a St. Louis era simplesmente avassalador, comandado pelo quarterback que está no Hall da Fama Kurt Warner. Após o título num jogo tirar o fôlego na temporada 1999, os Rams voltaram ao Super Bowl dois anos depois para enfrentar os Patriots do ainda jovem Tom Brady.

Após a nomeação de Warner como MVP daquela temporada, o time chegou com confiança elevada para tentar impedir o que seria o primeiro título da dinastia de New England. Mesmo com amplo favoritismo, a defesa dos Patriots jogou em alto nível, Brady comandou o ataque com competência e o Maior Show da Terra foi derrotado.

Dezessete anos se passaram desde então, os Rams voltaram para Los Angeles, mas o adversário será o mesmo. Novamente, o ataque é inovador, com jogadas dinâmicas e muitas variações. A situação para o rematch não poderia ser mais empolgante, com a torcida entusiasmada com a possibilidade de derrotar a dupla que tirou o título daquele time tão incrível.

Os jogadores atuais dos Rams sabem disto. Donald chegou a declarar que Los Angeles, tradicionalmente ligada aos Lakers da NBA, agora “é uma cidade de futebol americano”, e nada melhor para coroar isto do que tirar o grito preso há 17 anos.

(Foto: Reprodução Site Oficial/NFL)

COMISSÃO TÉCNICA

LOS ANGELES, CA - NOVEMBER 12: Head Coach Sean McVay of the Los Angeles Rams is seen during the game against the Houston Texans at the Los Angeles Memorial Coliseum on November 12, 2017 in Los Angeles, California.Atualmente, ninguém é mais observado na NFL que o treinador principal do Los Angeles Rams. Com apenas 33 anos de idade (8 a menos que Brady), já podemos dizer que Sean McVay é um dos melhores de sua posição no momento. Eleito treinador do ano da temporada 2017, o head coach revolucionou a mentalidade ofensiva da equipe e protagoniza um dos times mais interessantes de assistir.

O grande ponto para esta partida é não abrir mão do próprio estilo por conta do tamanho do jogo. Os Rams só chegaram ao Super Bowl porque o treinador não tem medo de arriscar uma 4ª para 5 no meio do campo fora de casa, mesmo com um jovem quarterback. O estilo arrojado de McVay tem de ser mantido, sob pena do time não desenvolver seu jogo naturalmente.

Para sair com a vitória, contudo, não basta ser talentoso. McVay terá de superar Belichick taticamente para encontrar os ajustes necessários durante a partida. E ninguém melhor para estar ao seu lado que Wade Phillips, coordenador defensivo. Com longa experiência na NFL, Phillips tem como maior qualidade a capacidade de ajustar sua defesa durante o duelo e dar mais tempo com a bola para Jared Goff. Com a união de ambos os treinadores, acredito fortemente num game plan vencedor para este jogo.

(Foto: Harry How/Getty Images)

DEFESA

Aaron Donad comemora sack durante vitória do Los Angeles Rams sobre o Arizona Cardinals, em Glendale, na Semana 16 da NFL 2018A unidade defensiva dos Rams é recheada de talento. Mesmo com um grupo de linebackers um pouco abaixo do restante da equipe, a defesa mostrou ser bastante competitiva ao longo de toda a temporada. No jogo que cedeu 51 pontos (contra os Chiefs), conseguiu forças 5 turnovers, o que foi decisivo para a vitória sobre a equipe de Andy Reid.

A grande dificuldade ao longo da temporada regular era combater o jogo terrestre. Entretanto, o time parece ter encaixado melhor neste quesito, impedindo Ezekiel Elliot, Alvin Kamara e Mark Ingram de conseguirem jardas e anotarem touchdowns nesta pós-temporada.

Individualmente, a dupla de cornerbacks é bem física com Talib e Peters, mesmo que, às vezes, estes jogadores se percam um pouco na marcação. John Johnson foi líder do time em interceptações. Mas é na linha defensiva que se concentra a maior virtude da unidade: Suh e, principalmente, Donald.

Com mais de 20 sacks durante a temporada regular, Aaron Donald é o maior pesadelo de qualquer linha ofensiva. Com certeza, ele vai conseguir pressionar Brady, cabendo ao experiente quarterback ter um release rápido e bom suporte da OL para não sofrer sacks e fumbles. Além disto, ainda é o grande favorito ao prêmio de melhor defensor de 2018 (ele venceu em 2017).

(Foto: Divulgação/Los Angeles Rams)

MENÇÃO HONROSA: JARED GOFF

É difícil chegar a um Super Bowl sem um quarterback de qualidade, e não poderia deixar de citar um que foi selecionado na primeira escolha geral do Draft 2016. Jared Goff começou a temporada com números impressionantes e fazendo muita força para levar o prêmio de MVP. Ao longo do ano, contudo, seu rendimento caiu um pouco, assim como de todo o time.

Mesmo assim, é um dos grandes candidatos a ser o maior protagonista da final, desafiando um dos maiores QBs de todos os tempos. Com um bom trabalho de proteção, Goff deve ter o tempo necessário para encontrar seus alvos e mostrar de vez que os Rams acertaram em cheio no seu franchise quarterback.

A grande evolução do jogador é visível, não somente em seus passes, mas em seu comportamento dentro de campo. Durante a final da NFC, a torcida de New Orleans fazia um barulho tão alto que ele não conseguia se comunicar com seus companheiros dentro de campo. Goff ignorou a torcida, literalmente colocou seus companheiros em seus lugares e conduziu a virada que garantiu a vaga no Super Bowl LIII. Ainda no início da carreira, o produto da Universidade da Califórnia mostra verdadeiros sinais de grandeza.

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