12/08/2019 - 20h46

PRÉVIA NFL 2019: #24 Buffalo Bills

Bills investem no ataque para tentarem voltar aos playoffs sob o comando de Sean McDermott

Josh Allen durante minicamp do Buffalo BillsDefesa não foi um problema para o time do Buffalo Bills em 2018, quando terminou o ano com o segundo melhor DVOA* defensivo da NFL. Esse foi um dos motivos que levou o general manager Brandon Beane a focar em jogadores de ataque para reforçar a equipe para a próxima temporada. O resultado foi a chegada de nomes como John Brown, ex-Baltimore Ravens, Cole Beasley, ex-Dallas Cowboys, Mitch Morse, ex-Kansas City Chiefs, Frank Gore, ex-Miami Dolphins, dentre outros.

*Nota: o comentarista que vos fala é adepto da estatística avançada compilada pelo site Football Outsiders, nomeada por eles de DVOA (Defense-adjusted value over average), algo como levar em consideração as estatísticas oficiais em contraponto à força dos adversários enfrentados. É o mesmo que dizer que enfiar 40 pontos e 500 jardas no Tampa Bay Buccaneers não é a mesma coisa que enfiar 40 pontos e 500 jardas no Chicago Bears, apesar das estatísticas serem idênticas. Dito isso, toda vez que fizer referência à posição de um ataque ou defesa em DVOA, já sabem do que se trata.

A ideia é simples: reforçar o elenco em torno do quarterback segundanista Josh Allen e confiar na defesa para manter a maioria dos placares dentro do alcance de um ataque que ainda conta com algumas limitações.

Josh Allen é um jogador polêmico. Com uma carreira estatisticamente muito precária no futebol americano universitário, o jogador foi escolhido na primeira rodada do Draft de 2018 por conta de seu inegável talento físico lançando a futebola. Com 1,96m de altura e capaz de atravessar o campo inteiro com seus passes, Allen encantou o staff do Buffalo Bills que viu nele o futuro da franquia. O time sabia, porém, que não se tratava de um produto pronto para consumo. Ninguém esperava que Allen dominasse já em 2018, e o jogador produziu um ano com altos e baixos.

Por um lado, o ex-quarterback de Wyoming surpreendeu com sua mobilidade, correndo para 631 jardas e impressionantes oito touchdowns. A fins de comparação, Lamar Jackson, dos Ravens, teve 4,7 jardas por tentativa (695 jardas totais e 5 touchdowns) contra 7,1 do quarterback do Buffalo Bills.

No entanto, no quesito passe o jogador deixou a desejar. Allen completou somente 52,8% de seus passes, lançando 10 touchdowns e 12 interceptações, números bem ruins para um titular na NFL. Por isso, se quiser ser considerado o futuro da posição em Buffalo, Allen terá de melhorar muito sua presença no pocket e precisão no passe, dois quesitos marcados como deficiências do quarterback desde seus tempos de Wyoming.

Além do dinâmico quarterback, o ataque de Buffalo conta com o retorno de LeSean McCoy – já além da barreira dos 30 anos – e dos recém-chegados John Brown e Cole Beasley. Além deles, o incansável Frank Gore – terceiro colocado na lista de jardas terrestres na carreira na história da NFL – complementa um corpo de running backs que conta com o calouro Devin Singletary e o medíocre T.J Yeldon.

]No corpo de recebedores, Zay Jones e Robert Foster são os outros nomes que devem começar o ano de titulares, mas não se mostraram opções muito confiáveis nos últimos anos. As posições de tight end e linha defensiva projetam como as principais deficiências ofensivas dos Bills de 2019. O time draftou Dawson Knox, que lesionou o posterior da coxa e deve perder algum tempo. Jason Croom, outro que poderia aproveitar a titularidade, também se machucou e pode perder alguns jogos.

Já na defesa a história é outra. Ed Oliver foi selecionado na primeira rodada do Draft para substituir o ídolo Kyle Williams, que se aposentou ao fim da última temporada. O dinâmico calouro terá um bom ambiente para se desenvolver ao lado de nomes como Tre’Davious White, Tremaine Edmunds, Matt Milano, Jerry Hughes, Shaq Lawson, Star Lotulelei, Trent Murphy, Jordan Phillips e Micah Hyde. É um elenco de fazer inveja para qualquer time fora de Chicago e, quem sabe, carregar o time para voos mais altos na temporada 2019.

Foto: Reprodução Twitter/Buffalo Bills

Principais Chegadas: Na Free Agency, John Brown e Mitch Morse. O primeiro encaixa como uma luva em um time que pretende correr com a bola, fazer play action e lançar passes em profundidade. Brown é especialista em receber passes longos por conta de sua grande velocidade e já vem demonstrando no training camp um certo entrosamento com Josh Allen nesse tipo de jogada. Morse, por outro lado, era uma rocha no meio da linha ofensiva dos Chiefs. O único problema são as lesões: nos últimos dois anos o center perdeu 14 jogos por conta de lesão. Preocupam especialmente as concussões sofridas por Morse em sua carreira.

No Draft, além de Oliver, as principais escolhas foram o tackle Cody Ford, de Oklahoma, o running back Devin Singletary, de Florida Atlantic e o tight end Dawson Knox, de Ole Miss. Desses, Ford e Singletary projetam como jogadores que irão contribuir já no ano de calouro, especialmente Ford por conta da falta de profundidade no elenco dos Bills na posição de linha ofensiva.

Principais Saídas: A aposentadoria de Kyle Williams marca o fim de uma era. Escolhido por Buffalo na quinta rodada do Draft de 2006, o jogador foi nomeado para seis Pro Bowls e um second-team All-Pro e fez parte de grandes linhas defensivas ao lado de jogadores como Mario Williams, Jerry Hughes, Marcel Dareus e Mark Anderson.

Williams foi a única baixa significativa para a equipe de Buffalo, já que o time contava com um bom cap space e mais adicionou do que perdeu jogadores em 2019.

Ponto Forte: A defesa. Os Bills foram o segundo melhor time contra o passe em 2018 e não há motivos para duvidar que isso possa se repetir este ano. A secundária retorna jogadores Pro Bowlers como Micah Hyde e Tre’Davious White, e o time ainda deve contar com o desenvolvimento de jovens como Tremaine Edmunds e Ed Oliver. A expectativa é que o núcleo jovem e talentoso dos Bills – pelo menos no lado defensivo do campo – se mantenha por algumas temporadas.

Ponto Fraco: Linha ofensiva e possivelmente quarterback. A O-Line dos Bills foi muito mal em 2018, terminando o ano na 30ª colocação em DVOA. Por conta disso, o time trouxe draftou Cody Ford e contratou Morse, Spencer Long, Ty Nsekhe e Jon Feliciano. Desses, Morse tem problemas com concussões, Ford é calouro, Spencer Long vem de temporadas terríveis em Nova York e Nsekhe é uma incógnita. O time terá de solucionar rápido a posição se quiser ter alguma chance de colocar um ataque decente dentro de campo. Já na posição de quarterback, Allen precisa mostrar muito mais qualidade no jogo tradicional de um QB. No momento, o melhor dos cenários que consigo vislumbrar para os Bills é Allen se tornar uma versão menos dinâmica de Cam Newton, o que já seria lucro.

Calouro para Ficar de Olho: Devin Singletary. A escolha menos surpreendente seria Ed Oliver, mas as expectativas já são altas para o ex-Cougar. Singletary, por outro lado, se junta a um corpo de running backs que já foi muito eficiente no passado, mas envelheceu e vem diminuindo de produtividade nos últimos anos. Com números produtivos em sua carreira no college (4.287 jardas terrestres e 397 aéreas), o corredor pode acabar o ano no topo do depth chart de Buffalo acima dos veteranos McCoy e Gore.

Campanha em 2018: 6-10

Projeção para 2019: 7-9

Técnico: Sean McDermott (2017-) – recorde: 15-17

Briga por: se tudo der certo, wild card

TABELA 2019

Semana 1: Jets (fora)
Semana 2: Giants (fora)
Semana 3: Bengas (casa)
Semana 4: Patriots (casa)
Semana 5: Titans (fora)
Semana 6: bye
Semana 7: Dolphins (casa)
Semana 8: Eagles (casa)
Semana 9:  Redskins (casa)
Semana 10: Browns (fora)
Semana 11: Dolphins (fora)
Semana 12: Broncos (casa)
Semana 13: Cowboys (fora)
Semana 14: Ravens (casa)
Semana 15: Steelers (fora)
Semana 16: Patriots (fora)
Semana 17: Jets (casa)

POWER RANKING THE PLAYOFFS

Buffalo Bills: posição 24
Melhor nota: 7,5 / Pior nota: 6,5

>> A posição de cada time no Power Ranking do The Playoffs foi definida por um comitê do site que conta com Fabio Garcia, Fernando Ferreira, Gabriel Mandel, José Ferraz e Luis Felipe Saccini. Os cinco deram notas para as equipes levando em conta a força dos elencos em geral e a perspectiva delas neste momento. A partir da média, listamos as franquias neste ranking de 1 a 32. Semanalmente, a lista será atualizada de acordo com o desempenho dos times em campo durante a temporada regular.

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