03/09/2019 - 20h42

PRÉVIA NFL 2019: #2 Los Angeles Rams

Depois de ficar no quase na temporada passada, os Rams chegam fortes para brigar novamente pelo título

NEW ORLEANS, LOUISIANA - JANUARY 20: Johnny Hekker #6 and Greg Zuerlein #4 of the Los Angeles Rams celebrate after kicking the game winning field goal in overtime against the New Orleans Saints in the NFC Championship game at the Mercedes-Benz Superdome on January 20, 2019 in New Orleans, Louisiana. The Los Angeles Rams defeated the New Orleans Saints with a score of 26 to 23*Texto de Raphael Fraga, do podcast USA na Rede e torcedor do Los Angeles Rams

A offseason de 2018 dos Rams foi repleta de todo glamour e atenção esperada de uma equipe sediada na terra dos grandes astros de Hollywood. Honrando a tradição de LA, os Rams trouxeram: Marcus Peters, Aquib Talib, Ndamukong Suh e Brandin Cooks, formando um time que tinha uma meta: Super Bowl ou Bust. Rapidamente figurando entre os melhores equipes da temporada, McVay comandou o time a um impressionante recorde de 9 vitorias e 1 derrota até o épico confronto no MNF contra os Chiefs. Em um duelo que merecia ter acontecido no Super Bowl, os Rams venceram o jogo 54-51 e pareciam confirmar de vez o rótulo de favorito a erguer o Lombardi no final da temporada.

Porém o time acabou caindo de produção diante daquela inexequível performance e começou a demonstrar suas fragilidades. Contusões de Cooper Kupp e Todd Gurley travaram o que parecia um ataque invencível e mais duas derrotas diante de Eagles e Bears tiraram o favoritismo da equipe californiana entrando para os playoffs. Porém o time conseguiu se reorganizar e diante de uma ótima atuação diante dos Cowboys, foi para a primeira final de NFC em 19 anos.

A vitória em cima dos Saints poderia até ser comparada em tamanho à diante dos Chiefs no MNF, com uma atuação brilhante de Jared Goff, que carregou o ataque quando seu jogo terrestre não compareceu, e contou com dois chutes de super longa distância de Greg “The Leg” Zuerlein, com toda a pressão do Super Dome – um levou o jogo para OT e outro botou o time no Super Bowl. Porém o que deveria ter confirmado o time como predestinado a Super Bowl acabou transformando os Rams em uma espécie de intruso no grande jogo, graças a um erro de arbitragem no famoso lance protagonizado por Nickell Robbie-Coleman.

O Super Bowl acabou decepcionando até um fã fanático de defesas como eu. Rams e Patriots apareceram para o maior jogo do ano com ataques anêmicos em um jogo de poucas jogadas ofensivas eficientes e uma tonelada de erros mentais, especialmente do lado de Los Angeles. A temporada não acabou como os torcedores sonharam, muito menos McVay e seus comandados, porém seria uma injustiça muito grande categorizar o ano como decepcionante depois de tantas vitorias e momentos positivos. A jornada para voltar ao maior palco do esporte promete ser complicada, mas tudo indica que os Rams estão no caminho perfeito para resgatar de vez a gloria de um dos times fundadores do esporte nesse novo século de NFL.

Para 2019 a expectativa em volta dos Rams é bem semelhante à de 2018. A offseason foi bem diferente, nenhum grande nome na free agency ou troca bombástica foi feita para melhorar o time. Os veteranos Eric Weddle e Clay Mathews chegaram para ajudar uma defesa que por grande parte da temporada foi decepcionante. Porém os grandes pontos de interrogações no time estão nos setores mais fortes nos últimos anos. Indiscutivelmente a melhor arma ofensiva da NFL nas últimas duas temporadas combinadas, Todd Gurley sofreu com um problema no joelho (operado no último ano de Georgia) que resultou em o jogador ter somente 30 carregadas de bola combinadas nos três jogos decisivos de playoffs. Impossível esquecer da imagem de Gurley pedalando na bicicleta na beira de campo no Super Bowl, enquanto o time desesperadamente precisava de um tiro de energia normalmente proporcionado em suas brilhantes corridas.

Os Rams se movimentaram para se precaver caso Todd Gurley não seja mais o mesmo, mas no momento o plano é manter o ex-melhor jogador ofensivo da liga em uma “pitch count”, limitando o número de snaps com ele em campo para que o camisa 30 chegue o inteiro para os playoffs. E essa será a expectativa mínima para a temporada, dentro de uma NFC West fragilizada, com Arizona em rebuild, San Francisco cheio de incertezas e Seattle com um time longe do equilíbrio da equipe que chegou a 2 SBs e dominou a divisão nos últimos anos. Os Rams entram para a temporada como forte favoritos para levar a divisão pelo terceiro ano consecutivo. A grande dúvida é: o que o time vai conseguir fazer em janeiro e fevereiro?

Encarregados de apagar o gosto amargo que ficou nas bocas dos Angelinos graças à derrota apática no Super Bowl, McVay e Phillips retornam com grande parte da sua comissão técnica intacta para a temporada. Zac Taylor, ex-técnico de quarterbacks, se junta a Matt Lefleur como os dois ex-coordenadores de McVay estreando como head coaches em 2019. Difícil acreditar que Taylor fará tanta falta assim dentro dessa comissão. Claro que é importante ter uma sequência com Goff, que terá o seu quarto QB coach em quatro anos (Greg Olson 2017 e Chris Weinke 2016), mas a evolução do QB que foi escolhido com a primeira escolha do Draft de 2016 e indiscutível. Acredito que sob o comando de McVay e dos coordenadores Aaron Kromer e Shane Waldron, esse ataque vai continuar a evoluir e não ficaria surpreso se esses dois nomes começarem a figurar entre os novos candidatos a HC no próximo ano.

Wade Phillips talvez seja um dos melhores nomes no vestiário para ajudar esse time a voltar para o SB. O experiente treinador entra para sua temporada de número 43 da NFL, reunido com seu filho Wes Phillips, que assume o cargo de coordenador de TEs, função em que McVay começou a se destacar quando trabalhava em Washington. Se juntando ao vovô Wade estará Eric Henderson, ex-Chargers, coordenador de linhas defensivas no vizinho de Los Angeles. Henderson tem sido muito elogiado pelos destaques defensivos dos Rams, como Aaron Donald. Vale a pena ver como essa defesa irá reagir já que um dos números mais intrigantes da última temporada foi o fato de o setor não ter conseguido um sack sequer sem Aaron Donald em campo. A missão dessa equipe será maximizar os jovens talentos de front seven com os veteranos, para que a equipe consiga ser mais efetiva sem depender tanto do melhor jogador na NFL.

(Fotos: Sean Gardner/Getty Images; Reprodução Twitter/NFL)

Principais Chegadas: Eric Weddle (Safety), Clay Mathews (LB), Blake Bortles (QB)

Principais Saídas: Rodger Saffod (LG), John Sullivan (C), CJ Anderson (RB), Ndmukong Suh (NT), Mark Barron (ILB) Lamarcus Joyner (S)

As grandes mudanças dos Rams para a temporada estão dentro da linha ofensiva e no esquema defensivo. Na OL saíram dois nomes importantes: John Sullivan e Roger Saffold. O veterano Sullivan não teve seu contrato estendido. Importante na evolução de Goff com McVay, talvez teve seu destino selado com um holding decisivo no Super Bowl que apagou a melhor corrida de Gurley no jogo. Saffold acabou indo para os Titans na free agency. Considerado um dos melhores guards da NFL nas últimas temporadas, eu acredito que Saffold acabava superestimado graças ao excelente trabalho de Aaron Kromer com OLs.

Para seus lugares, dois jogadores draftados em 2018. Joe Noteboom tem demonstrado ter potencial para ser um ótimo OL na NFL. Draftado como herdeiro de Andrew Whitworth na posição de LT, ele tem se destacado com a polivalência de jogar em praticamente todas as posições da linha e iniciará sua jornada como LG ao lado de Whitworth. Para center, Brian Allen que foi muito bem quando acionado em 2018 terá que entrosar com Goff e provar que pode ser o titular na posição, mas não ficaria surpreso se o time fizesse alguma movimentação no mercado para reforçar a posição. Essa OL que tem se mantido saudável nos últimos dois anos passará pelo maior teste na era McVay, buscando se renovar e apostando na juventude para 2019.

Fora isso, as grandes mudanças vieram no esquema ofensivo, já que nos dois anos de McVay os Rams têm sido uma equipe que operou predominantemente no sistema 11 Personel, com 1 RB, 1TE e 3 WRs em campo. O técnico promete inovar esse ano e alterar bastante os pacotes ofensivos para evitar a previsibilidade que facilitou a vida de Belichick no Super Bowl. O time conta com a evolução de Gerald Everett, decisivo no duelo diante dos Chiefs no MNF. Everett deve figurar mais predominante nesse ataque ao lado de Tyler Higbee com pacotes de 2 TEs.

O time que também draftou Darrell Henderson para dividir snaps com Gurley. Conhecido como um RB de “home runs”, Henderson certamente terá uma função nesse ataque ao lado de Malcolm Brown, que teve seu contrato renovado como reserva imediato de Gurley. Lembrando que Sean McVay e Kyle Shanaham são da mesma escola ofensiva e o formato como os Falcons utilizaram Tevin Coleman e Devonta Freeman pode ser um indício de como esse time vai operar. Vale apena notar que McVay foi visto alinhando Gurley e Henderson até como WRs no training camp – aposto em um ataque bem flexível e mutável dos Rams para esta temporada.

Clay Matthews se revolta com lesãoNo lado defensivo também temos algumas mudanças interessantes entre os jogadores considerados titulares, porém acho que a grande mudança virá no esquema. Acredito que o time de fato jogará com um 3-4, com 3 safeties durante grande parte das partidas. O calouro Greg Gaines entra no meio da linha na vaga de Suh, que decepcionou no seu único ano de Rams. Clay Matthews chega para ajudar a pressionar QBs, dividindo snaps com Samson Ebukam e Dante Fowler no EDGE. Matthews também pode ajudar como ILB ao lado de Cory Littleton, que se destacou na temporada passada.

Mas acredito que veremos muitos esquemas com somente 3 ou até 2 LBs em campo graças às novas aquisições de safeties. Eric Weddle entra na vaga de Lamarcus Joyner. O veterano Weddle era uma espécie de QB da defesa dos Ravens. John Harbaugh falou diversas vezes que o time só conseguia rodar a defesa complexa de Baltimore graças à liderança de Weddle em campo. Acho que ele terá essa mesma função em Los Angeles e irá ajudar muito uma talentosa defesa que pecava muito nos erros mentais em 2018. Era comum ver Peters e Joyner, por exemplo, discutindo depois de um erro de marcação

E por último, os Rams draftaram Taylor Rapp, um dos melhores safeties da classe 2019. Rapp tem o porte físico de um linebacker e a velocidade de um CB. Rapp dever figurar muito nesse esquema de três safeties, operando como uma espécie de LB/safety hibrido. Minha expectativa é de que ele desenvolva em um excelente pass rusher dentro desse novo esquema defensivo dos Rams.

(Foto: Patrick Smith/Getty Images)

Ponto Forte: Acredito que o ponto forte desse time fica na comissão técnica. Poderia escolher um dos setores ofensivos – o RB tem sido o melhor da liga nos últimos anos, o time tem o melhor trio de WRs da NFL hoje e o setor defensivo conta com o melhor DT na história da liga. Porém todas essas peças dependem das mentes que montam o esquema. Vejo a criatividade e a liderança de McVay e Phillips para montar esquemas e maximizar seus jogadores como as duas peças fundamentais no sucesso desse time.

Ponto Fraco: Esse time tem duas possíveis fragilidades. A primeira é na incerteza das duas novas peças da linha ofensiva. Caso Noteboom e Allen não deem conta do recado, teremos um Jared Goff inferior ao Jared Goff das últimas duas temporadas. Sem OL, não tem como ser candidato a absolutamente nada na NFL. Portanto, o trabalho de Kromer com esses meninos é fundamental para o sucesso dos Rams em 2019. A outra fragilidade seria a mesma do ano passado, o grupo de linebackers. Fowler é o grande nome entre os LBs, mas a carreira dele não tem ido como esperado e fica difícil confiar 100% nele. Matthews chega para ajudar, mas já é considerado um veterano que precisa ser utilizado com cuidado, enquanto Ebukam e Littleton têm surpreendido nos últimos anos, porém estão longe de figurar entre os melhores da posição. O sucesso desse grupo dependerá bastante da qualidade do esquema de Phillips.

Calouro Pra ficar de olho: O calouro para ficar de olho é claramente Taylor Rapp. O jovem safety pode ser uma figura importante desse time mesmo sem passar todas as jogadas em campo. Acredito que ele tem as qualidades físicas e, mais importante, motores para ser um jogador que se destaque no sistema de Phillips. Ele me lembra bastante do meu jogador predileto da posição, Troy Polamalu, ex-Steelers, que era o grande líder e motor daquela defesa campeã. Rapp está longe de ser um Polamalu, mas vejo potencial nele pra ter o mesmo efeito na defesa dos Rams.

Gostaria de deixar uma menção honrosa para Greg Gaines. O calouro deve encaixar perfeitamente como nose tackle do time, entrando na vaga de Suh. Um pitbull com força e energia para sempre empurrar a OL e se aproveitar da atenção dada a Donald e Fowler. Vale ficar de olho em Gaines fazendo a função que Malik Jackson fez no esquema de Phillips naquela brilhante defesa que levou o SB.

Head Coach: Sean McVay: 33 anos, entrando para sua terceira temporada como HC. Recorde na temporada regular 24-8 (.750) e nos playoffs 2-2 (.500). Total na carreira 26-10 (.722).

Campanha em 2018: 13-3, campeão da NFC West e da NFC; derrotado no Super Bowl

Briga por: Super Bowl

TABELA 2019

Week 1: Panthers (fora)
Week 2: Saints (casa)
Week 3: Browns (fora)
Week 4: Buccaneers (casa)
Week 5: Seahawks (fora)
Week 6: 49ers (casa)
Week 7: Falcons (fora)
Week 8: Bengals (Londres)
Week 9: Bye
Week 10: Steelers (fora)
Week 11: Bears (casa)
Week 12: Ravens (casa)
Week 13: Cardinals (fora)
Week 14: Seahawks (casa)
Week 15: Cowboys (fora)
Week 16: 49ers (fora)
Week 17: Cardinals (casa)

POWER RANKING THE PLAYOFFS

Los Angeles Rams: posição 2
Melhor nota: 9,5 / Pior nota: 9

>> A posição de cada time no Power Ranking do The Playoffs foi definida por um comitê do site que conta com Fabio Garcia, Fernando Ferreira, Gabriel Mandel, José Ferraz e Luis Felipe Saccini. Os cinco deram notas para as equipes levando em conta a força dos elencos em geral e a perspectiva delas neste momento. A partir da média, listamos as franquias neste ranking de 1 a 32. Semanalmente, a lista será atualizada de acordo com o desempenho dos times em campo durante a temporada regular.

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