02/10/2019 - 22h07

[PRÉVIA] NBA 2019-2020: #25 Phoenix Suns

Apostando no talento dos jovens Booker e Ayton, Suns buscam evoluir na temporada 2019-2020

Sem disputar a pós-temporada desde 2010, o Phoenix Suns vem de um ano trágico. As 19 vitórias conquistadas representaram o terceiro ano consecutivo na lanterna da Conferência Oeste e a segunda pior campanha da história da franquia, só perdendo para o ano de estreia, em 1968 (16 vitórias).

Além da tragédia em quadra, fora dela as coisas também não funcionam lá no Arizona. O dono Robert Sarver é alvo constante de protestos dos torcedores, principalmente pelas trapalhadas da diretoria nos últimos anos. Um símbolo disso foi a demissão do general manager Ryan McDonough, a 9 dias do início de temporada passada, colocando James Jones – até então presidente de operações – como um GM interino até a metade de 2019.

Buscando mudar o cenário, Sarver nomeou oficialmente James Jones como general manager, que apostou em mais uma mudança no comando dos jogadores. Como a experiência com o sérvio Igor Kokoškov não deu certo, Monty Williams – que vinha trabalhando como auxiliar no Philadelphia 76ers – é o novo head coach da equipe. Williams só teve uma experiência como treinador, no New Orleans Pelicans. Entre 2010 e 2015 foram 404 jogos no comando dos Pels, com 175 vitórias e 229 derrotas, para um aproveitamento de apenas 43%.

De 2016 pra cá, o Phoenix Suns já teve cinco técnicos (Jeff Hornacek, Earl Watson, Jay Triano, Igor Kokoškov e Monty Williams), o recorde da liga no período. O time busca finalmente dar sequência para um treinador, com um contrato de quatro anos com Williams. O último a ficar tanto tempo no comando dos Suns foi Alvin Gentry (2009-2013).

Falando dos jogadores, dá pra dizer que houve uma reformulação no elenco. Após muitos anos sofrendo com a posição de armador, Ricky Rubio, MVP da Copa do Mundo de Basquete, chega com moral para ajudar Devin Booker no backcourt. Outro que chega para ser titular é Dario Saric, ex-Wolves, que deve fazer a dupla no garrafão com Deandre Ayton.

A reformulação também passa muito pelas saídas, principalmente Josh Jackson e Dragan Bender, duas escolhas top 4 nos Drafts de 2016 e 2017, mas que não conseguiram se desenvolver no Arizona. Outra escolha de loteria que também deixou a franquia foi TJ Warren, trocado na noite do Draft para o Indiana Pacers.

Após as mudanças, a tendência é termos um Phoenix Suns mais competitivo. Pra isso, o foco continua sendo a dupla Booker e Ayton. Apesar do time viver uma crise, Booker conseguiu evoluir seus números nas quatro temporadas em que esteve em quadra. Para 2020, o próximo passo pode ser uma primeira seleção para o All-Star Game, afinal não é impossível imaginar uma temporada de 30+ pontos para ele. Já Ayton, pick 1 do Draft de 2018, mostrou nítida evolução durante a temporada e também já deve ter um impacto maior nos dois lados da quadra.

Apesar do foco seguir na dupla de jovens, a simples presença de Ricky Rubio já faz o time melhorar. Como comparação, o time iniciou a temporada passada com Isaiah Canaan na armação, um jogador que sempre sofreu pra conseguir minutos na liga. Justamente por isso, Devin Booker muitas vezes teve que ser o criador do time, algo que em alguns momentos parecia ser desconfortável para ele. Agora com o espanhol no time, Booker não será obrigado a conduzir todos os ataques, algo fundamental para o jovem. Ayton também deve se beneficiar da contratação. Conhecido desde os tempos da universidade como muito forte no pick-and-roll, o pivô terá a companhia de um armador que gosta muito de conduzir pick-and-rolls e naturalmente deve ter mais facilidade para pontuar.

Vai ser interessante também ver como Monty Williams vai administrar as alas. Com Rubio e Booker na armação e Ayton como pivô, as outras duas vagas serão disputas entre Kelly Oubre, Mikal Bridges e Dario Saric, dando a possibilidades para formações mais altas e mais baixas. A tendência é que o time inicie com Oubre e Saric. O primeiro chegou jogando muito bem após ser trocado pelos Wizards. Em 40 jogos nos Suns, Oubre teve médias de 16,9 pontos, 4,9 rebotes, 1,6 assistência, 1,4 roubada de bola e 1 toco por jogo. Já Saric não teve um bom ano nos Wolves, mas o fato de já ter trabalhado com o novo treinador nos Sixers pode fazer a diferença para o ala-pivô croata.

Outro ponto de evolução é naturalmente o banco. Tyler Johnson, que chegou na metade da temporada passada pra ser o armador titular, agora vai para a segunda unidade. Como dito antes, Mikal Bridges deve ser o grande nome vindo do banco. Conhecido pela envergadura, ótima defesa de perímetro e bons arremessos, Bridges tem tudo pra ter uma temporada muito boa, podendo até ganhar a vaga no time titular. Outra opção de banco é o experiente Aron Baynes, que chegou via Celtics e deve ser um ótimo mentor para Ayton. Além deles, Ty Jerome e Cameron Johnson chegaram via Draft para adicionar ainda mais arremessadores no elenco.

Olhando para um Oeste cada vez mais competitivo, é quase impossível imaginar os Suns chegando aos playoffs, mas é obrigação ver um time mais organizado e bem mais competitivo para a temporada.

(Foto: Reprodução Twitter/Phoenix Suns)

Principais chegadas: Ricky Rubio (Utah Jazz), Aron Baynes (Boston Celtics), Dario Saric (Minnesota Timberwolves), Cheick Diallo (New OrleansPelicans), Frank Kaminsky (Charlotte Hornets), Jevon Carter (Memphis Grizzlies), Ty Jerome (Draft), Cameron Johnson (Draft).

Como já falado no texto, só a chegada do Rubio jé coloca a offseason dos Suns como positiva. Apesar de um contrato que gerou dúvidas (US$ 51 milhões por 3 anos), o time precisava desesperadamente de um armador. Já Saric tem um contrato expirante, então pode até ser repassado durante a temporada, caso as coisas não funcionem.

As outras chegadas são mais para completar elenco. Frank “the tank” Kaminsky também deve ter seus minutos em quadra. Conhecido como um dos piores defensores da NBA, mas com algum talento no ataque, os Suns acreditam ser capazes de fazer ele entregar minutos consistentes.

Olhando para as escolhas de Draft, James Jones apostou alto. Fez trocas para descer e pegou Cameron Johnson na #11 e Ty Jerome na #24. O primeiro já chega com uma ótima experiência. Jogou durante cinco anos no college, os dois últimos em North Carolina, e tinha o carimbo de melhor arremessador da classe, já que teve um aproveitamento acima dos 45% na linha dos três pontos na temporada 2019. Cam também é um exemplo da mudança de postura dos Suns no Draft, apostando em um cara de 23 anos, deixando de ser o time que pega jogadores ainda muito crus. Ty Jerome é outro exemplo disso. Após três anos em Virginia, o armador também é conhecido pelo seu bom arremesso e a ética de trabalho.

Principais saídas: T.J Warren (Pacers), Josh Jackson (Memphis Grizzlies), Dragan Bender (Milwaukee Bucks), Richaun Holmes (Sacramento Kings), Troy Daniels (LA Lakers), De’Anthony Melton (Memphis Grizzlies) e Jamal Crawford (sem time).

As saídas representam mais fracassos de Phoenix nos Drafts do que necessariamente desfalques. Warren talvez seja o único deles que eu discuto a saída, mas é fato que ele atuava na posição mais disputada. Jamal Crawford e Richaun Holmes também jogaram relativamente bem, mas não devem fazer muita falta ao elenco.

Ponto forte: É ter o seu franchise player entrando no primeiro ano da sua extensão de contrato. Devin Booker já provou que merece ser a cara da franquia e Phoenix tem ele sob contrato até 2024. Ah, e ele só tem 22 anos. O cara ainda pode ser melhor.

Ponto fraco: Olhando para a quadra, definitivamente a defesa. Na temporada passada, o rating defensivo foi de 114,2, uma tragédia inclusive comparado aos últimos anos, em que já era ruim. É verdade que também deve evoluir aqui (é possível piorar?), mas a defesa vai continuar sendo um problema.

Campanha do time em 2018-2019: 19-63 (último colocado da Conferência Oeste)

Head coach da equipe: Monty Williams (primeiro ano)

Provável quinteto titular: Ricky Rubio, Devin Booker, Kelly Oubre Jr., Dario Saric e Deandre Ayton

Franchise Player: Devin Booker. A única coisa boa que aconteceu nos últimos quatro anos dos Suns

Briga por: Ter uma temporada digna, ultrapassando a barreira das 30 vitórias

POWER RANKING THE PLAYOFFS

Phoenix Suns: posição 25
Melhor nota: 7 / Pior nota: 5

>> A posição de cada time no Power Ranking do The Playoffs foi definida por um comitê do site que conta com Guilherme Rodrigues, Pedro Moreira, Piero Fiorelli, Ricardo Pilat e Thiago Passarelli. Os cinco deram notas para as equipes levando em conta a força dos elencos em geral e a perspectiva delas neste momento. A partir da média, listamos as franquias neste ranking de 1 a 30. Semanalmente, a lista será atualizada de acordo com o desempenho dos times em campo durante a temporada regular.

Por Piero Fiorelli

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