03/06/2019 - 15h55

[ENTENDA O JOGO] 5 fatos que explicam por que o Draft da MLB é diferente de todos os outros

Entenda como funciona o sistema de seleção da Major League

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Acontece nesta segunda-feira (03), o Draft da MLB 2016. O Baltimore Orioles terá a primeira escolha e a chance de desenhar um futuro mais promissor para a franquia.

Porém, já vou te adiantar uma coisa: se você acompanha beisebol há pouco tempo e era mais ligado em NBA e NFL, prepare-se para assistir a um Draft diferente de tudo que você já viu. Digamos que, basicamente, a única semelhança ao recrutamento das ligas de basquete e futebol americano é que a ordem de seleção privilegia times que tiveram campanha pior na temporada anterior.

Para te explicar melhor, cito agora 5 motivos que comprovam que o Draft da MLB é o mais inusitado e difícil dos esportes americanos.

1. O Draft da MLB tem 40 RODADAS

Já começa por aí. Enquanto na NBA são duas rodadas, na NHL e na NFL, sete, na MLB, são 40 rodadas de escolhas, o que faz com que mais de mil jogadores sejam draftados. Para os times, fica ainda mais difícil fazer uma escolha, pois como você vai saber se um cara na 33ª escolha, após centenas de jogadores terem passado, é a melhor opção? O número de 40 rodadas explica-se pela quantidade de jogadores num roster da MLB e especialmente pelas Ligas Menores, que costumam servir como base para evolução dos novatos. No fim as contas, poucos novatos dos escolhidos chegam às Grandes Ligas.

2. A primeira escolha do Draft demora bastante para fazer efeito no time

Ao contrário também das outras ligas, onde o time que tem uma das primeiras escolhas basicamente consegue mudar de patamar com seu rookie, na MLB esse processo demora bastante. Os jogadores vêm muitos jovens e, como já adiantamos acima, passam quase que 100% pelas Ligas Menores do Beisebol antes de chegar à divisão principal. Ou seja, um cara que seja a primeira escolha (entre mais de mil possibilidades, o que significa que o cara deve ser muito bom) talvez demore até três anos para chegar à MLB, e seu time talvez já esteja bem melhor do que na temporada anterior a sua escolha (veja quadro ao fim do post).

3. Jogar no High School ou no College dá na mesma

Algo que hoje é proibido na NFL e a NBA, na MLB ainda não há restrição. Qualquer time pode draftar um jogador com experiência apenas no high school (ou seja, colegial). E na real, os times não ligam muito para experiência universitária dos atletas, já que a NCAA não é tão forte assim quando o assunto é beisebol. Sem contar que existe o tal desenvolvimento nas Ligas Menores, que costuma valer mais que qualquer jogo de college.

4. Draftar jogadores da NFL é normal

Com 40 rodadas, é normal que os times comecem a fazer escolhas sem tanta explicação. É o caso de jogador inscritos no Draft (ou não) que já foram escolhidos (ou foram depois) pela NFL. Sim, é bem normal que atletas de futebol americano tenham alguma aptidão para beisebol, apesar de serem esportes bem diferentes. Considerando jogadores recentes, temos casos como Tom Brady, Russell Wilson, Golden Tate e Colin Kaepernick, que tiveram a chance de jogar o passatempo da América profissionalmente. Wilson, inclusive, participou algumas vezes do training campo do New York Yankees. Em 2014, Johnny Manziel foi eleito pelo San Diego Padres (esse ainda tá em tempo de mudar).

No passado, engrossam a lista John Elway e Dan Marino. Já Bo Jackson e Deion Sanders também foram draftados pela MLB e pela NFL, mas optaram por jogar nas duas simultaneamente por parte da carreira, registrando expressivos números e marcas nas duas ligas.

Recentemente, chamou atenção o caso de Kyler Murray, draftado pelo Oakland Athletics na primeira rodada do Draft da MLB de 2018, mas que optou por participar do Draft da NFL de 2019 e acabou selecionado na primeira rodada e posição pelo Arizona Cardinals.

5. O Draft da MLB acontece no meio da temporada

O Draft da MLB não tem o mesmo alarde que os demais. A própria liga não dá esse charme todo ao negócio, tanto é que promove o evento no meio da temporada, em um dia normal de jogos. Sem contar que ele concorre com finais da NBA e da NHL que acontecem na mesma época.

Alguns exemplos de primeiras escolhas recentes do Draft da MLB

2010: Bryce Harper (OF, Washington Nationals) – hoje no Philadelphia Phillies
2011: Gerrit Cole (P, Pittsburgh Pirates) – hoje no Houston Astros
2012: Carlos Correa (SS, Houston Astros) – segue nos Astros
2013: Mark Appel (P, Houston Astros) – draftado primeiro em 2012, não assinou com os Pirates. No ano seguinte, foi primeira escolha dos Astros. Nunca jogou na MLB.
2014: Brady Aiken (P, Houston Astros) – terceira primeira escolha seguida dos Astros, time e jogador não chegaram a um acordo e ele não assinou contrato. Em 2015, ele entrou no Draft novamente, depois de passar por uma cirurgia Tommy John, e foi escolhido na 17ª posição, pelo Cleveland Indians. Nunca jogou na MLB.

2015: Dansby Swanson (SS, Arizona Diamondbacks)
2016: Mickey Moniak (OF, Philadelphia Phillies)
2017: Royce Lewis (SS, Minnesota Twins)
2018: Casey Mize (P, Detroit Tigers)

*Texto publicado originalmente em 7 de junho de 2016 e atualizado em 3 de junho de 2019

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