13/07/2018 - 15h29

Jogadores já se preparam para o próximo Lockout da NHL antes de 2022

Novos contratos assinados indicam preocupação de atletas e uma nova paralisação da NHL em breve

Capitals vencem Golden Knights e conquistam Stanley Cup em 2018O comissário da NHL, Gary Bettman, vem trabalhando nos bastidores da liga com a possibilidade de um novo Lockout, uma vez que a CBA (Collective Bargaining Agreement – Acordo Coletivo de Barganha) entre a liga e a NHLPA (Associação dos Jogadores da NHL) chegará ao final no dia 15 de setembro de 2022. Porém, um novo elemento apareceu para aumentar a pressão sobre as negociações dirigidas por ele: o bônus contratual assinado por jogadores como John Tavares.

A cada novo contrato assinado, uma nova forma diferente de abordar o tema aparece mais evidente. Desde Steven Stamkos, passando por Jakub Voracek, Jamie Benn, Carey Price e até mesmo Connor McDavid, todos utilizando formas diferentes de “proteção ao possível Lockout”. Isso acontece porque as regras de soma dos valores de um contrato na contagem final do teto salarial permitem a inclusão de bônus. O caso de John Tavares é a forma mais escancarada de como os jogadores estão preocupados com essa paralisação e passam a forçar as franquias a arcar com estes custos.

Ao assinar com seu time do coração, o Toronto Maple Leafs, Tavares que recebia de seu antigo clube, o New York Islanders, a quantia de US$ 6 milhões, vai passar a receber um salário mínimo diante das regras da liga de US$ 650 mil no primeiro ano, e um reajuste para US$ 910 mil a partir do segundo ano. Acontece que o resto do dinheiro referente ao valor final de US$ 77 milhões por 11 anos, será pago em forma de bônus salarial. Portanto, não sofre impacto direto em uma indesejada paralisação.

O caso de Leon Draisaitl é também explícito. Em agosto de 2017, o jogador alemão renovou seu contrato com o Edmonton Oilers por 8 anos com um valor final de US$ 68 milhões. Leon receberá por ano um salário de US$ 9 milhões. No entanto, nas temporadas 2020-21 e 2022-23, seu salário anual cai drasticamente para US$ 2 milhões e US$ 1 milhão respectivamente. Coincidentemente, o acordo com a CBA chegará ao fim em 2022, como citado aqui no texto. Mas todas as partes envolvidas podem antecipar este encerramento, segundo o seção 3.1 no parágrafo B. A temporada 2020-21 se torna inegavelmente um momento crítico das ações futuras nestas condições, como o The Playoffs já havia noticiado anteriormente.

A negociação que envolve a NHLPA (Associação de jogadores da NHL) e a própria liga, é um braço-de-ferro delicado e precisa de muito poder de “barganha” para que todas as partes saiam felizes. De um lado, a NHL defende os interesses do empregador, no caso, os donos das franquias. Do outro, a NHLPA defende os interesses dos empregados, ou seja, os jogadores e seus direitos trabalhistas. Normalmente, ninguém sai 100% satisfeito, fato que gera ainda mais pressão no acordo seguinte. Este é o fenômeno que vive a NHL nos dias de hoje.

O comissário da NHL pode se dizer vencedor nas disputas anteriores promovendo a paralisação e com isso, sufocando os jogadores que precisavam retornar aos rinques, como no famoso Lockout de 2005. Com isso, Bettman pôde utilizar as suas cartas para desenhar as novas regras deste acordo, visando a proteção das franquias. O início da Era da Capacidade Salarial, o chamado Salary Cap na NHL, que retirou dos times com os maiores mercados da liga como New York Rangers e Detroit Red Wings, a hegemonia de outrora em favorecimento das menores franquias e equilibrando os times, foi o resultado mais significativo daquele evento.

O fato de os jogadores procurarem proteção sobre um Lockout com o bônus salarial, é um golpe duro na estratégia de Bettman de sufocar os atletas com o cancelamento da temporada. Para defender os donos, o comissário vai ter que encontrar novas formas de negociar com a Associação dos Atletas.

Com a proibição da NHL para que os jogadores que nela atuam, representassem seus respectivos países nos Jogos Olímpicos de Inverno em PyeongChang, a relação entre os lados estremeceu num momento crucial. Alex Ovechkin – que mais tarde viria a levantar o troféu Lord Stanley -, se posicionou contra a proibição, ameaçando boicotes à liga. Gary Bettman, tentou o contra-ataque ao oferecer o direito aos atletas de participarem dos jogos na Coreia em troca de uma prorrogação no contrato da CBA com a intenção clara de ganhar tempo, mas a NHLPA recusou a ideia.

Os amantes do hóquei no gelo estão preocupados com esta guerra de decisões e sabem que se o momento não fosse delicado, os jogadores não estariam utilizando do bônus salarial para se protegerem de um eventual cancelamento de toda uma temporada.

(Foto: Reprodução Twitter/Washington Capitals)

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