21/02/2019 - 21h18

TOP 5: os melhores quarterbacks do Draft da NFL de 2019

Após classe estrelada de 2018, posição sofre com escassez de talento mas conta com opções intrigantes

Me foi incumbida a missão de dar início aos “TOP 5” do Draft de 2019 da NFL aqui no The Playoffs. A ideia é analisar e ranquear os cinco melhores jogadores em cada posição que poderão ser selecionados pelas equipes no dia 25 de abril. Como redator do “Ranking de QB calouros” de 2018, é um prazer voltar a trabalhar com a análise dos passadores em início de carreira. De antemão já quero deixar claro que não sou particularmente fã dessa classe, mas isso não significa que eu não veja um potencial integrante em alguns dos nomes que vão circulando por aí.

Talvez a falta de empolgação com o grupo de jogadores que vem por aí tenha relação com a badalada classe de QBs de 2018, que contou com cinco escolhas de primeira rodada (Baker Mayfield, Sam Darnold, Josh Allen, Josh Rosen e Lamar Jackson), número que deve cair em 2019. Para registrar na internet a minha falta de visão para todo o sempre – que você fã vai entrar em 2020 para me lembrar – segue a lista.

Foto: Reprodução Twitter/NFL

Lembrando que: 1. as opiniões aqui são baseadas na análise do autor; 2. a ordem abaixo não significa necessariamente a ordem em que eles devem ser escolhidos, uma vez que cada time pode ter diferentes visões e necessidades no Draft.

1 – Kyler Murray, Oklahoma

A mão até treme no teclado para cravar Murray da massa na primeira colocação. Primeiro porque o sujeito não sabe se c… ou sai da moita, ou seja, se joga beisebol ou futebol americano. Apesar de declarar em um textão de Instagram que pretende se dedicar à NFL, esse deve ser o principal questionamento para o ex-jogador de Oklahoma nas entrevistas do Combine.

Para fazer essa lista eu me debrucei no game tape da maioria dos quarterbacks que se inscreveram no Draft. E o que encontrei foi o seguinte: nenhum deles é um playmaker do nível de Murray. Explico. O futebol americano vem evoluindo ano após ano para prestigiar jogadores que “improvisam” sob pressão e conseguem encontrar a melhor jogada mesmo fora do script. Assim é o sucesso de Patrick Mahomes, DeShaun Watson, Carson Wentz, Dak Prescott etc. Quando vejo o menino de Oklahoma jogar, a mistura de Johnny Manziel (ai papai) com Russell Wilson não me sai da cabeça. Exemplifico.

Na jogada abaixo, a linha ofensiva de Oklahoma leva um baile da linha defensiva de Alabama – uma das melhores da NCAA – e força Murray a rapidamente se deslocar no pocket. Um jogador menos apto a fazer jogadas teria ou sofrido o sack, ou corrido com a bola para um ganho de 4 a 5 jardas. Não Murray. O pequeno gigante foi capaz de manter os olhos na secundária e lançar em movimento uma bola precisa dentro da end zone. Touchdown.

É disso que o povo gosta. Mas não é só de improviso que vive um quarterback na NFL. Wilson, por exemplo, é capaz de administrar os jogos muito bem dentro da estrutura da jogada, com uma rápida tomada de decisão e assertividade no seu estilo de jogo. Por essa razão, me preocupei em olhar os fundamentos de Murray durante suas partidas no jogo universitário, e o que encontrei me surpreendeu. Seu trabalho de pés e velocidade na progressão de leituras – quem me conhece sabe que são as duas qualidades que mais valorizo em um quarterback – são fenomenais. Apesar de a precisão nos passes às vezes deixar a desejar – o que pode vir a ser uma bandeira vermelha para os times – Murray geralmente é rápido ao diagnosticar as coberturas adversárias e encontrar a melhor jogada.

Listado em 1,78m por Oklahoma, o pequenino Kyler deve ter uma marcação ainda menor nas medidas oficiais, o que costuma deixar alguns times bem receosos em selecioná-lo, como o New York Giants de Dave Gettleman, que por mais de uma vez já deixou claro que gosta de seus quarterbacks altos para conseguirem olhar por cima da linha ofensiva e evitar ter seus passes desviados pelos jogadores de linha adversários. Outro problema ainda é que o jogador foi selecionado no Draft da MLB pelo Oakland Athletics, podendo optar por jogar beisebol caso as coisas não deem muito certo para ele na NFL.

Outro questionamento que vem surgindo nos últimos tempos é quanto à liderança do jogador, um atributo muito importante para qualquer quarterback. Alguns repórteres que teriam falado com colegas de equipe disseram que ele passa longe de ter o temperamento de Baker Mayfield, um líder nato dentro e fora de campo.

Apesar disso tudo, eu vejo no garoto um potencial muito acima do restante da classe, ainda que com um risco também consideravelmente maior em selecioná-lo no Draft.

2. Dwayne Haskins, Ohio State

Aqui a coisa começa a acalmar um pouco. Haskins é sólido. Bom trabalho de pés, boas leituras, precisão nos passes. Ele é o pacote completo do ponto de vista de atributos necessários para ser um bom quarterback na NFL. No entanto, o que falta para o jogador de Ohio State é aquele “elemento X”Você deve estar se perguntando: “mas que p… é essa?”. E eu te respondo: não sei. Quando você assiste Haskins jogar, a impressão que te dá é que clonaram o Alex Smith e colocaram ele no corpo do jovem jogador dos Buckeyes.

Como um disclaimer, vale falar que o QB só foi titular por um ano na faculdade, o que não nos dá muito material de análise e aponta para um potencial de evolução muito grande. A informação que temos é que Haskins dominou facilmente o plano de jogo de Ohio State e foi pouco exigido dentro do sistema do agora ex-técnico Urban Meyer.

Dono de um estilo mais tradicional de jogo, Dwayne continua movendo seus pés dentro do pocket como um veterano. É muito importante que o quarterback fique dando esse “pulinhos” para poder rapidamente mudar de direção e plantar os pés para lançar a bola em uma boa plataforma. Veja por você mesmo:

Chega a impressionar o quão fluido é o jogo de Haskins, parece até que ele não está nem se esforçando, o que é ótimo para um quarterback. No entanto, dificilmente você vai ver aquela jogada majestosa em que o jogador “dibra” três defensores e lança contra o movimento do corpo para um touchdown de 70 jardas. Pense aqui em Alex Smith, Eli Manning, Tom Brady (calma lá, jovem) e não em Patrick Mahomes e cia. Acho uma aposta segura para quem precisa de estabilidade imediata na posição de quarterback (oi, New York Giants, seu sumido).

3. Will Grier, West Virginia

Olha, serei polêmico aqui. Costumo dizer que tem gente que gosta de fazer uns rankings bizarros só para chamar atenção. Juro que não é isso. Lembro que Grier era mencionado como escolha de primeira rodada ao final da temporada de 2017, o que acabou não se materializando após a temporada de 2018, não sei exatamente o porquê. O quarterback dos Mountaineers é sólido e me lembrou um pouco Mason Rudolph, dos Steelers, ainda que de menor estatura.

Assim como Rudolph, o quarterback de West Virginia tem bom aproveitamento nos passes curtos e intermediários, mas deixa a desejar nos passes em profundidade. Além disso, o jogador já testou positivo no doping quando ainda jogava pela Universidade da Flórida, o que foi um dos fatores para sua transferência para os Mountaineers. Some-se a isso o fato de que o jogador terá 24 anos no momento do Draft e temos muitos alertas para os times interessados. Apenas a fim de comparação, Grier é mais velho que todos os quarterbacks da classe de 2018, bem como alguns que já estão na liga há alguns anos como Patrick Mahomes e DeShaun Watson.

Mesmo assim listei Grier na terceira colocação – com uma distância bem considerável para os dois primeiros da lista – pois acho que seu jogo tem tudo para se encaixar na NFL, especialmente em uma versão do ataque West Coast, que privilegia os passes curtos e rápidos. Para o site Pro Football Focus, o jogador teve um ano melhor que outros quarterbacks mais badalados como Drew Lock e Daniel Jones – que virão abaixo nesse ranking – bem como Dwayne Haskins e foi o 13º no geral, ficando atrás apenas de Kyler Murray e Trevor Lawrence (não elegível para o Draft de 2019) na posição.

Para fechar a análise, vou usar um lance que demonstra um pouco do que falei. Na jogada abaixo, Grier vai muito mal no trabalho de pés – note a postura do corpo dele na hora do lançamento -, mas acaba colocando a bola no lugar certo para anotar o touchdown. Na NFL, um lance como esse poderia rapidamente se transformar em cilada, mas não há como negar que a leitura e antecipação da jogada foram muito bem feitos.

4. Drew Lock, Missouri

Algumas pessoas vão discordar pesadamente da colocação de Lock. Há quem diga que ele é o melhor quarterback da classe. A esses, convido que assistam à partida de Missouri contra Alabama. Foi brutal. Sei que é injusto julgar um jogador por apenas uma partida, mas o resto das amostras que vi do quarterback dos Tigers foram bem ruins. Trabalho de pés sofrível, precisão contestável (até esse ano ele não havia completado mais de 60% dos passes em nenhuma temporada), presença no pocket péssima, leitura de jogadas um tanto quanto medíocre. É, a coisa não parece muito favorável para o rapaz.

Mas nem tudo está perdido. Lock é o típico quarterback que algum GM insano da NFL vai amar. Como Paxton Lynch antes dele, Brock Osweiler, Christian Hackenberg (!), Drew tem boas chances de sair nas duas primeiras rodadas do Draft. Com um braço capaz de lançar a bola 70 jardas no ar e 1,93m, os tomadores de decisão na liga podem ver um pouco de Matthew Stafford no jovem passador. Justiça seja feita, quando Lock consegue evitar os problemas fundamentais da posição – especialmente quando lida com pockets mais limpos – é possível ver uma abertura para uma carreira de sucesso. Nos jogos que assisti, porém, essa consistência não apareceu. Um grande passe era seguido de um erro em jogadas simples por conta da posição dos pés (que devem sempre estar direcionados para onde a bola será lançada).

Ele é o típico prospecto que deixa os olheiros sonhando com grandes jogadores do passado como John Elway e Brett Favre, e dá razões para isso. Na jogada abaixo, a espiral sai perfeita, fluida, onde somente seu recebedor pode receber (notei também que os pés se movem bem nessa jogada), o que demonstra que há o potencial para uma carreira no mínimo aos moldes de Joe Flacco.

O potencial está lá, mas um jogador que completou 49%, 54,6%, 57,8% e 62,9% em cada uma de suas temporadas no college me deixa um tanto quanto receoso. São poucos os casos de sucesso de quarterbacks que completaram menos de 60% de seus passes na universidade e se tornaram bons jogadores na NFL. E não dá nem para culpar a pouca experiência, Lock jogou os quatro anos possíveis em sua carreira universitária, chegando ao nível profissional já com 22 anos – mais velho que Josh Rosen, Sam Darnold e Lamar Jackson, que integraram a classe de 2018.

5. Daniel Jones, Duke

Quase que eu lanço nomes desconhecidos aqui como Ryan Finley ou Gardner Minshew II, mas achei que seria exótico demais (se meu editor me der uma chance de atualizar esse ranking próximo ao Draft eu penso no assunto), mas optei pelo quarterback de Duke. Conhecida pelo basquete, a universidade localizada na Carolina do Norte não costuma produzir talentos para a NFL, mas Jones parece quebrar o molde.

Uma constante que surge nas avaliações de Jones é a “compostura mental”. O jogador – supostamente – estaria pronto para as nuances da posição de quarterback no nível profissional. Tudo que faltaria é o talento físico. Com 1,96m e cara de jogador mais popular da faculdade, Jones é mais um da escola “brancos e altos” de quarterbacks. Vou retirar um trecho de um artigo da 247 Sports sobre o jogador:

“Seu jogo realmente me lembra mais um quarterback que costumava ter mais habilidade atlética e a perdeu com o tempo, tendo agora de contar com outros aspectos de seu jogo para ter sucesso”. Ouch. Tudo bem que Peyton Manning fez história na liga sem qualquer habilidade atlética, mas para um jogador de 21 anos, é uma crítica a se considerar, ainda mais na era dos Patrick Mahomes e Lamar Jacksons da vida.

Com uma decente espiral e um bom trabalho de pés, Jones para mim lembra mais um Kirk Cousins sem grife. No compilado abaixo, veja como a bola chega macia na mão dos recebedores:

As projeções colocam o QB de Duke na primeira rodada, o que parece cedo na minha opinião, mas a escassez de bons quarterbacks pode fazer com que jogadores medianos como Jones sejam escolhidos antes do que deveriam. Pelo lado positivo, parece que pelo menos para um bom reserva o jogador já serve, resta saber se existe potencial para mais no jogo do ex-quarterback dos Blue Devils.

Oddsshark