14/09/2018 - 12h17

Apesar de mudanças durante a temporada, os Rays seguem firmes – e ótimos – depois do All-Star break

Time de Tampa Bay mostra força na segunda metade da temporada e pode terminar o ano com boa perspectiva

O Tampa Bay Rays é um dos melhores times após a pausa do Jogo das Estrelas da MLB. Desde 16 de julho, os Rays possuem campanha 31-18, o quarto melhor aproveitamento das grandes ligas no período. Ele tem sido mais de 24,1% superior ao que a equipe tinha produzido na primeira metade da temporada, com recorde 49-47.

Mas, o que pode ser irônico nesse momento é a quantidade de jogadores que Tampa perdeu, fazendo trocas, no decorrer de 2018. A equipe cedeu nomes importantes, como Wilson Ramos, Chris Archer, Matt Andriese, Nathan Eovaldi e Adeiny Hechavarria, por exemplo.

Em compensação, a franquia recebeu jogadores que já estão impactando no desempenho. Tommy Pham, adquirido em julho, tinha 101 de corridas ponderadas criadas ajustadas (wRC+) em 98 jogos no St. Louis Cardinals, porém nos 23 na nova equipe, está com 166, crescimento de 65%.

Até que o time tem sido muito consistente na temporada. Os Rays estão entre os 10 melhores ataques da MLB, com a quinta posição em média de rebatidas e porcentagem em base, e na sexta colocação em wRC+. Quanto aos arremessadores, a média de corridas merecidas (ERA) de Tampa é a quinta menor das majors, enquanto no Fielding Independent Pitching (FIP) também ocupa o quinto lugar no ranking, além de possuir uma das menores taxas de home runs sofridos.

A maior dificuldade do time é justamente converter a eficiência no bastão em corridas. A quantidade de pontos por jogo está abaixo da média da Major League Baseball e muito próxima a de corridas cedidas, que por si só é uma das menores da liga.

Essa situação é parecida com a do Seattle Mariners. Em estatísticas que calculam a eficiência das equipes ou jogadores correndo em base, Tampa integra o grupo dos piores times do campeonato, com a 17ª colocação em Base Running (BsR) e a 18º em Ultimate Base Running (UBR). A principal diferença com os Mariners é o grande desempenho dos arremessadores e da defesa.

Após o All-Star Game, entretanto, os Rays estão conseguindo produzir mais corridas. A média subiu de 4,2 para 4,7, aumento significativo de quase 12%. E o setor problemático do time melhorou de forma considerável na segunda metade da temporada, na faixa dos cinco melhores, levando as corridas ponderadas criadas ajustadas para o terceiro lugar. Tampa também ocupa um dos lugares mais altos em porcentagem em base.

O desempenho dos arremessadores do time da Flórida tem sido excelente no momento. A equipe está com o terceiro melhor FIP das grandes ligas na segunda metade da temporada, e uma das que menos cede corridas merecidas. Outra característica importante dos pitchers é o controle dos arremessos, no top 5 da Major League Baseball na diferença entre a porcentagem de strikeouts e walks.

Esses números demonstram que a forma a qual os arremessadores estão sendo utilizados pelos Rays está funcionando. Tampa Bay é, de longe, o time com menos entradas arremessadas na temporada com os abridores. Isso porque eles utilizam poucos starters de fato – no depht chart oficial constam apenas três jogadores na rotação titular, com menção especial para Blake Snell, favorito ao prêmio de Cy Young da Liga Americana (segundo o modelo da ESPN americana) -, focando o uso em arremessadores de relevo. Atualmente, os arremessadores que iniciam os jogos para o time participam de quatro entradas por partida. Por outro lado, os Rays são a equipe em que os relievers arremessaram mais de um inning por partida, eliminando cerca de 4,6 rebatedores em média.

É praticamente impossível o Tampa Bay Rays chegar à pós-temporada, dado o crescimento do Oakland Athletics no ano – os A’s estão até ameaçando a vantagem de decidir o jogo Wild Card em casa do New York Yankees -, mas, ainda assim, a equipe de Tampa Bay demonstrou resiliência durante a temporada, superando a perda de jogadores no mercado de trocas, evoluindo apesar das circunstâncias, principalmente no ataque. Quanto a utilização “inovadora” dos arremessadores, ela está dando certo (o que de certa forma pode-se considerar surpreendente), seja abrindo as partidas (Snell ajuda muito nessa situação), seja quando os membros do bullpen sobem no montinho durante os confrontos, no que pode se tornar uma tendência na MLB, apesar de parecer um pouco improvável. O futuro de Tampa tem tudo para ser muito promissor.

(Foto: Reprodução Twitter/Tampa Bay Rays)

*Por Luís Martinelli

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