The Playoffs

20/04/2017 - 11h11

Aaron Hernandez, “13 Reasons” e em qual ponto podemos ajudar

O que o caso do ex-tight end dos Patriots, somado a outros e a nova série da Netflix, podem nos ensinar

A morte do ex-tight end do New England Patriots Aaron Hernandez foi mais uma de uma série  delas relacionadas ao suicídio que chegaram aos nossos ouvidos nas últimas três semanas. E isso sim, pode ser reflexo de uma quebra de um tabu sempre presente em nossa sociedade e também na mídia.

A série “13 Reasons Why”, distribuída pela Netflix, trouxe o assunto à tona em cheio em todo o planeta. E a história de Hannah Baker, que lista em fitas K7 as 13 razões que a fizeram dar cabo em sua vida, tem seus erros e acertos, mas pode dar um norte para quem não quer ver seu ente querido sem nenhuma vontade de viver. E o próprio caso de Hernandez, assim como de  outros da NFL, como o do linebacker Junior Seau, ex- Chargers e Patriots, poderiam ter finais muito diferentes.

E a morte de Hernandez, além das que ele causou, poderia ter sido evitada em algum ponto da história, como a de Hannah. De infância e juventude complicadas, o descendente de porto-riquenhos poucas vezes teve encontro com o verdadeiro carinho em sua vida. Tight end talentoso, o jogador tinha registros de problemas disciplinares na escola desde a middle school. Lembra até um dos “motivos” que fizeram Hannah tirar sua vida na série: Bryce Walker, que cometeu dois atos criminosos durante a trama. A diferença de Bryce para Hernandez? Bryce era rico.

E isso piorou no College, onde sua conduta na Flórida sempre foi motivo de preocupação e fez sua cotação no Draft de 2010 despencar. Ele foi selecionado pelos Patriots apenas na quarta rodada, quando poderia perfeitamente ser uma seleção de segunda.

E a preocupação com Hernandez já aparecia na época. O vídeo de Tim Tebow (ex-colega de Hernandez nos Gators) e Tom Brady, conversando sobre a preocupação com a conduta do tight end é um bom exemplo. Mas o jogador não criou jeito. Ao mesmo tempo em que era idolatrado pelas recepções e touchdowns, ele se metia em confusões e se sentia o dono do mundo. E em nenhum momento parou.

Aí veio a acusação. Aí veio a prisão. Aí veio a condenação perpétua. Aí se passaram três anos, dois Super Bowls conquistados pelos Patriots e o fim da vida de Hernandez, enforcado em uma cela perto de Boston, enquanto seus ex-companheiros rumavam para a Casa Branca.

Hernandez era um talento bruto que tinha capacidade de chegar ao nível de lendas como Tony Gonzalez. Assim como Hannah na série também tinha todo um futuro, inteligência, beleza e pessoas que a amavam para seguir sua vida. Mas em um momento, a vida não teve mais sentido. Onde será que uma ou mais pessoas não percebeu? Difícil mensurar.

E devemos sim, divulgar isso. Devemos sim, pensar ou agir empaticamente para que não percamos pessoas queridas. Por ora, você deve pensar que tirar a sua vida não faz mais sentido, mas e amanhã?

Empatia, gente. Em um mundo cada vez mais individualizado, pode ser até difícil pensar e mensurar isso. Mas devemos valorizar ela. Para que a Hannah da ficção e os Hernandez da vida real pensem que sim, a vida, apesar de dura, tem muito mais sentido que a morte.

(Fotos: Divulgação NFL; reprodução Netflix; Divulgação NCAA)